Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

Diário de Leituras

"O regresso à cultura. Sim, autenticamente à cultura. Não se pode consumir muito se se fica tranquilamente sentado a ler livros."

Diário de Leituras

"O regresso à cultura. Sim, autenticamente à cultura. Não se pode consumir muito se se fica tranquilamente sentado a ler livros."

27
Fev17

Rendida às novelas gráficas de Filipe Melo e Juan Cavia - Dog Mendonça e Pizza Boy

Como já tinha referido, um bibliotecário convenceu-me a dar uma oportunidade às histórias (incríveis, extraordinárias, fantásticas) de Dog Mendonça e Pizza Boy. Ainda bem que o fez. Achei piada ao primeiro volume. Ri-me com alguns pormenores (que não conto) e foram esses que me fizeram pegar no segundo (mais curiosidade que outra coisa). 

 

13065030.jpg

Li-o quase todo, ainda na biblioteca e não consegui parar de rir. Os desenhos são incríveis e as piadas magníficas. Não imagino como seria possível traduzir a obra porque toda ela é cheia de piadas e trocadilhos da nossa cultura. 

002.jpg

E quando o apocalipse, com todas as suas pragas, chegam a Lisboa, até a Nossa Senhora de Fátima entra ao barulho. 

001.jpg

A colecção:

  • As Incríveis Aventuras de Dog Mendonça e Pizzaboy
  • As Extraordinárias Aventuras de Dog Mendonça e Pizzaboy - Apocalipse
  • As Fantásticas Aventuras de Dog Mendonça e Pizzaboy
  • Os Contos Inéditos de Dog Mendonça & Pizzaboy

Divirtam-se! 

 

Avisos à navegação:

I - Estou sem paciência para pessoas a reclamar que não são livros "a sério".

II - Há muitos palavrões. 

26
Fev17

Palavras

Estou escrever um lote de palavras para o jarro do dicionário de uma sobrinha. Sim, eu tenho uma sobrinha que adora procurar palavras no dicionário. 

 

Para já, a minha selecção é: 

 

humorístico - desassossego - contradição - afeiçoar - divergente - perfil - magistral - manual - global - fictício - ética - crónico - gabaço - plena - amnistia - suavizar - serenar - balbo - baldio - sarna - periclitante - cacareco - enfadonha - estonteado - indumentária - néscio - mentecapto - questão - controvérsia - marafona - discriminar - esplendor - gambozinos - geringonça - contido - zurrapa - associar - recatada - empenhada - diligente - penhor - estável - firme - inabalável - mago - adicional - fluído - jorrar - trela - equidade - desconfiómetro - fraude - vacaril - regente - mongol - nieiro - quebrado - negação - edulcurante - levedande - rinário - sombrio - antecipação - banir - precário - défice - pactuar - infestado -sugestão - estimular - subestimar - altercação - reprimenda - avultado - corso

 

Aceitam-se sugestões.

26
Fev17

Ciência é fixe!

E se, em vez de partilhar fotos de gatos a piscar corações, utilizassemos o FB ou Twitter para influenciar positivamente o nosso mundo?

 

A Teen Vogue tem feito, na sua conta Twiter, um trabalho incrivel de educação do seu público alvo para questões da actualidade política. Não deveriamos fazer o mesmo?

 

Sabiam que há animais INCRÍVEIS, capazes de reproduzir qualquer som, inclusivé o de brinquedos infantis? 

 

The lyrebird from Australia can mimic virtually any sound that it hears, including children's toys,chainsaws and the calls of other animals! pic.twitter.com/bg57Hlokz7

— Strange Animals (@Strange_Animals)

 

Eu nunca vi ao vivo as nuvens mammatus, mas se acontecesse, pelo menos não iria pensar que estavamos a ser invadidos por ET.

 

Mammatus clouds are formed under extreme meteorological conditions & signal a severe, impending thunderstorm. pic.twitter.com/EUU0lyZqHC

— Nature Is Weird (@NaturelsWeird) 

 

Se preferirem:

https://www.instagram.com/strangeanimals_/

 

Outras contas a seguir, são as da NASA e da Estação Espacial International (escolham a rede social).

26
Fev17

Carl Sagan - Um mundo infestado de demónios

Há cerca de um mês, peguei neste livro, numa esperança de encontrar a luz neste mundo infestado de demónios. Nunca pensei, que a minha geração iria temer o surgimento de um estado totalitário. Hoje, sinto que este é perigosamente possível, num mundo de Trump e Le Pen.

 

Acho que é bastante provável que a nossa geração venha a ser julgada como a mais imbecil dos tempos modernos - tínhamos a informação, preferimos o reality TV e criamos as condições para a nossa submissão ou implosão - escolham o vosso veneno.

 

O livro de Carl Sagan é de 1995 e incrivelmente presciente. Assustadoramente presciente. 

 

Um mundo infestado de demónios é sobre os meandros da nossa mente, da credibilidade, da compreensão humana. É sobre a ciência como empreendimento humano, mas também sobre os mitos, as superstições e as suas consequências.

 

Em Carl Sagan, a humanidade é sempre defendida.

 

Todos somos imperfeitos e criaturas da nossa época. Será justo julga-nos pelos padrões desconhecidos do futuro?

 

Mas a responsabilidade é igualmente nossa, pelo estado a que chegamos. Sagan oferece o pior de nós (caça às bruxas, inquisição, a distorção da realidade através da religião, da pseudo-ciência) e o melhor de nós (exemplos de magníficos empreendimentos na educação e ciência, ou de coragem intelectual.

 

E responsabiliza também a comunidade científica e a sua incapacidade para comunicar com os cidadãos: 

 

Ao contrário de Benjamin Franklin, a maioria dos cientistas sente que não lhes compete expor farsas pseudocientíficas - e, muito menos auto-ilusões defendidas com toda a veemência. Geralmente também não têm muito jeito para isso.

 

Acima de tudo, questiona a educação que estamos a dar às nossas crianças, para serem os cidadãos de amanhã. 

 

Quero parar a produção de alunos do ensino secundário amorfos, sem curiosidade, sem espírito crítico e falhos de imaginação. A nossa espécie necessita de, e merece, uma cidadania com espíritos bem despertos e uma compreensão básica do modo como o mundo funciona. 

A ciência, continuo a dizer, constitui um instrumento absolutamente essencial para qualquer sociedade que queira ter esperança em transitar para o próximo século com os seus valores fundamentais intactos - não apenas a ciência tal como é feita pelos cientistas, mas a ciência compreendida e acolhida por toda a comunidade humana. E, se não forem os cientistas a fazê-lo, quem o fará?

 

A  minha resposta é: todos nós. Como Sagan demonstra ao longo do livro é que existe uma teia de conexões entre a ciência e a democracia e todos estamos envolvidos: os políticos, os líderes religiosos, os meios de comunicação, os pais, os educadores, os voluntários sociais, os cidadãos. 

 

Cabe-nos a responsabilidade de compreender o mundo em que vivemos e os preconceitos para onde a nossa mente nos leva. Aquilo a que Sagan (generosamente) chama de preguiça intelectual: evita o trabalho de se ter de pensar. 

 

É por isso que leio. É por isso que leio Carl Sagan, que me obriga a pensar. E juro, que um dia ainda vou conseguir compreender o que é a teoria da relatividade e mecânica quântica. 

 

Por ora, vou tentar compreender como funciona o meu cérebro:

 

 

E o próximo de Carl Sagan, já na estante é:
39_MAIN.jpg

 

 

 

 

25
Fev17

Os livros

Este objecto barato permite-nos interrogar o passado e obter respostas exactas, utilizar a sabedoria da nossa espécie, compreender o ponto de vista dos outros, e não apenas dos que detêm o poder, partilhar - com os melhores professores - a compreensão, dolorosamente obtida a partir da natureza, dos maiores espíritos que jamais existiram, extraída de todo o planeta e de toda a nossa história. Permitem que pessoas há muito mortas falem dentro das nossas cabeças. São pacientes quando nós somos lentos a entender, permitem-nos rever as partes difíceis tantas vezes quantas queremos e nunca criticam as nossas falhas. Os livros são a chave para compreender o mundo e participar numa sociedade democrática.

 

Carl Sagan - Um mundo infestado de demónios

 

24
Fev17

Filipe Seems I, II, III



4 (5).jpg

 

Com A tribo dos sonhos cruzados termino a trilogia de investigações do detective Filipe Seems. Termino com chave de ouro porque é a minha preferida, embora seja a mais estranha que já li. Numa Lisboa pós-apocalíptica, Filipe Seems procura algo que não sabe bem o que é. Procura uma borboleta ou uma mulher. Ou sonha que procura? 

 

Todo o grafismo é difuso e às tantas tenho uma página em branco (outra vez) ou texto sem imagem. E apesar de tudo isso, faz perfeito sentido. É a linguagem nas suas diversas formas.

4a.JPG5 (2).JPG 

Um excelente ponto de partida para ler novelas gráficas de autores nacionais. Na verdade, estou rendida às novelas/romances gráficas/os. 


A trilogia anda à venda por €12 (sim, os três) e tenho de me relembrar que as estantes estão cheias. 

6.jpg

 

 

24
Fev17

Entre o ocidente e o mundo árabe

4 (4).jpg 

O árabe do futuro é uma novela gráfica e autobiográfica de Riad Sattouf, filho de uma francesa e um sírio. Todo o primeiro volume (na foto) abrange a sua infância, marcada pela mudança para a Líbia com apenas 3 anos de idade. Essencialmente, é um livro sobre as diferenças culturais entre o ocidente (vida em Paris) e o mundo árabe (Líbia e Síria). 

 

Confesso que não foi uma das minhas leituras preferidas. Não consigo deixar de comparar com Persepolis e nessa comparação o primeiro sai a perder.

24
Fev17

Paul Auster a metro

O mínimo que se pode fazer a 4321 é avaliá-lo nos seus próprios termos. O livro tem 870 páginas. Cada página tem em média 2800 caracteres. A esperança média de vida é 80,37 anos. É fazer as contas.

 

Daqui 

 

Advirto que a crítica também não é "curta". Tem cerca de 22000 caracteres (sem espaços). É fazer as contas.