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Diário de Leituras

"O regresso à cultura. Sim, autenticamente à cultura. Não se pode consumir muito se se fica tranquilamente sentado a ler livros."

Diário de Leituras

"O regresso à cultura. Sim, autenticamente à cultura. Não se pode consumir muito se se fica tranquilamente sentado a ler livros."

16
Jan17

A sentir-me muito inculta

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Inspiração

 

O título chamou-me à atenção. É o tipo de não ficção histórica que gosto (microhistória, embora não tenha certeza que seja o caso). 

Depois percebo que é uma reedição de Alexandre Herculano e sinto-me profundamente naba.

Para mim, isto resume o ensino do português no secundário. Somos obrigados a aprender autores que ninguém ensina a amar.

16
Jan17

Coisas que eu gostaria de ter

Porque é que não temos um catálogo digital partilhado de bibliotecas publicas

Eu posso utilizar todas as bibliotecas do distrito do Porto. Porque não há um catálogo conjunto? Não seria economicamente mais eficiente se, no fundo, está tudo em servidores? 

Cada vez que procuro um livro, tenho pesquisar em múltiplos catálogos. 

 

Mais, não seria útil que houvesse um pequeno orçamento conjunto em que, pelo menos esse, servisse para comprar 1 exemplar que não existisse em nenhuma das bibliotecas?

 

Nos EUA as bibliotecas publicas também oferecem um catálogo de livros digitais (ebooks) e audio livros (audiobooks). Porque não temos uma biblioteca nacional que ofereça esses conteúdos digitais?

 

Just saying...

 

 

14
Jan17

Perdidamente (correspondência amorosa 1920-1925) - Florbela Espanca

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Que pobre aquisição tu fazes, meu amigo querido! A desta mulher criança, sensitiva a doer-se sempre ao mais leve contacto que a magoe, ao mais leve choque que a fira. 

 

Carta de Florbela Espanca a António Guimarães

05/03/1920

 

Tu dizes não saber onde vou buscar as minhas variadíssimas considerações a propósito de todas as coisas. É tão simples! Tenho a cultura suficiente para compreender as coisas e para as ver na realidade como elas devem ser vistas, e não me julgo muito estúpida para que sobre elas eu não possa construir esses complicados edifícios, todos de símbolos e raciocínios que tanto te assustam. (...) Nasci sensitiva e assim hei-de morrer, muito provavelmente...

Carta de Florbela Espanca a António Guimarães

07/03/1920

14
Jan17

Coisas que eu gostaria de poder utilizar

Existe uma extensão para Chrome que permite ver se os livros que pesquisamos na Amazon, estão disponíveis na biblioteca local. 

É genial... mas não existe para Portugal. 

Já imaginaram a potencialidade desta extensão? As pessoas estão a pesquisar um livro e são imediatamente informadas que o livro está na biblioteca local, mais perto e mais rápido que uma entrega. E grátis. Não esquecer GRÁTIS.

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14
Jan17

O primeiro livro do ano

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O primeiro livro que comprei este ano, tem todas as características para ser um excelente investimento:

- só custou 1 euro;

- é um livro usado, novo para mim;

- foi comprado numa loja solidária;

- é um livro de uma autora que nunca li, embora estivesse na minha lista de desejos, há algum tempo;

- é por uma autora portuguesa premiada (Prémio P.E.N. Clube Português de Novelística e Grande Prémio de Conto Camilo Castelo Branco) e aclamada pela crítica literária;

- é um livro de contos, um formato que encontro pouco na língua portuguesa.

 

Estou certa que este pequeno livro, de apenas 158 páginas, me enriquecerá como leitora.

 

Mais aqui (auto link): Teresa Veiga "a nossa Elena Ferrante"

12
Jan17

Coisas que eu gostaria de saber: Quais são os livros mais requisitados nas bibliotecas?

A biblioteca pública de Nova York tem um site, um blog, um podcast... é um sonho.

 

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No final do ano, a biblioteca publicou no seu blog os 10 títulos mais requisitados em todos os seus pólos:

1. The Girl on the Train - Paula Hawkins
2. Between the World and Me - Ta-Nehisi Coates
3. When Breath Becomes Air - Paul Kalanithi
4. Go Set a Watchman - Harper Lee
5. Why Not Me? - Mindy Kaling
6. Modern Romance - Aziz Ansari and Eric Klinenberg
7. To Kill a Mockingbird - Harper Lee
8. The Goldfinch - Donna Tartt
9. All the Light We Cannot See - Anthony Doerr
10. The Nightingale - Kristin Hannah

 

Não seria fantástico se tivessemos os mesmos dados partilhados pelas nossas bibliotecas?

 

E qual é o livro (não em depósito) que não é requisitado há mais de 5 anos?

E qual é o livro que só foi requisitado apenas uma vez?

E qual é o livro que mais pessoas pedem para reservar?

...

Tantas questões não respondidas.

Não era fantástico que as bibliotecas fizessem esses destaques, levando à (re)descoberta de títulos que estavam esquecidos? 

 

11
Jan17

Colecções de jornais

As ofertas (ou não) de livros com publicações periódicas já existe há muito. Porém, com excepção de algumas que são verdadeiramente míticas (por exemplo a colecção Mil Folhas do Público), não me parece que tenham muito boa fama. 

 

Eu adoro este tipo de ofertas, onde já tenho descoberto contos, novelas ou autores que foram um grande prazer de leitura e frequentemente uma descoberta. 

 

Da colecção "Grandes Autores Portugueses" (120 Anos JN), fui buscar um livrinho de bolso com os sermões do Padre António Vieira, sempre muito útil na carteira, especialmente quando passo dias em consultórios médicos e hospitais. 

 

Encontrei trechos sublinhados da leitura anterior. Perguntei-me se teria gostado de o ler na escola... não me recordo. Mas a leitora adulta adora-o.

 

O efeito do sal é impedir a corrupção; mas quando a terra se vê tão corrupta como está a nossa, havendo tantos nela que têm ofício de sal, qual será, ou qual pode ser a causa dessa corrupção?

Sermão de Santo António aos Peixes

10
Jan17

Lab Girl - Hope Jahren

Juro que me sinto uma sortuda. O meu início de ano literário não poderia ter começado da melhor forma. Há bastante tempo que ouvia falar de Lab Girl, graças ao podcast BookRiot, já que o livro ainda não tem tradução em Portugal. 

Nem queria acreditar, quando o encontrei no decurso do meu mês experimental do Playster. Precisamente o audiobook de que tinha ouvido falar de forma elogiosa, lido pela própria.

 

Lab Girl é um livro de memórias de Hope Jahren, uma jovem cientista que estuda a paleobotânica (estudo de vegetais fósseis) e que nos transmite um amor incondicional pelas plantas e árvores em particular. Na verdade, depois de o ler, sinto que passei a ver, verdadeiramente, as árvores. 

 

Hope Jahren intercala capítulos sobre botânica com os capítulos com as suas memórias e o resultado é uma simbiose perfeita. Fez-me lembrar de Moby Dick e dos seus capítulos enciclopédicos sobre as baleias e de o A de Açor de Helen Macdonald.

 

Hope Jahren começa por desmistificar a felicidade dos países escandinavos, descrevendo as estruturas familiares como frias, em que discutir sobre os seus sentimentos é um tabu. E é numa solidão marcante, que a sua vida se vai desenrolando, procurando afectos negados, em particular da sua mãe. 

 

Vai descrevendo o seu percurso profissional e académico, as dificuldades com o financiamento científico, as dificuldades económicas, o assédio sexual a que é sujeita, o sexismo da academia. E tudo isto numa voz emocionada, trémula e humilde. Isso é o que se ganha ao ouvir a versão audiobook.

 

A solidão é agravada por um outro elemento, mas não vos quero estragar a experiência.

 

Mas juro-vos, que me deliciei com a explicação de a hera ser a planta mais trabalhadora do planeta, ficar a saber que o cogumelo não é um fungo, mas um órgão sexual e de como os humanos estão activamente a criar um mundo em que só as ervas daninhas conseguirão viver.

 

E fica prometido Hope, quando tiver o meu pedaço de chão, plantarei uma árvore e gravar-lhe-ei o nome Billy.