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Diário de Leituras

"O regresso à cultura. Sim, autenticamente à cultura. Não se pode consumir muito se se fica tranquilamente sentado a ler livros."

Diário de Leituras

"O regresso à cultura. Sim, autenticamente à cultura. Não se pode consumir muito se se fica tranquilamente sentado a ler livros."

31
Ago15

Plano de leituras para Setembro

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Livros já requisitados na biblioteca municipal:

1. O livro negro, Hilary Mantel

2. 1984, George Orwell

 

2 livros a ler da minha estante, com o objectivo de depois os doar à minha biblioteca municipal - serão escolhidos conforme o que me apetecer ler nessa altura  

 

2 Livros a requisitar na biblioteca municipal (escolherei de entre os que se encontrem disponíveis):

1. Alice do outro lado do espelho, Carroll Lewis

2. Quando o cuco chama, Robert, Galbraith

3. Os maus da história de Portugal, Ricardo Raimundo

4. Os interessantes, Meg Wolitzer

5. Lugares escuros, Gillian Flynn 

6. Mein Kampf, Adolfo Hitler

 

Começo a notar que tenho de me esforçar mais, para incluir mais autores portugueses no meu menu. 

30
Ago15

Esculptor Teixeira Lopes

Se estiverem na zona do Porto, recomendo uma visita à Casa Museu Teixeira Lopes (entrada gratuita). É um pequeno grande museu com obras extraordinárias de escultura e não só. É que além de escultor, era um ávido coleccionador de todo o tipo de objectos, de pintura (uma colecção soberba, que até inclui um quadro do Rei D. Carlos).

 

A obra do escultor está espalhada um pouco por todo o país e até pelo estrangeiro como a porta da Igreja de Nossa Senhora da Candelária, no Brasil.

 

A minha peça preferida é o estudo da estátua DOR, que me parece sintetizar a grandeza de Teixeira Lopes, a capacidade de transmitir emoções. A estátua encontra-se no Palácio de Cristal, no Porto.

 

A foto, é do incrivelmente talentoso bucolico-anonimo.

 

Mas o que deixa qualquer leitor/a entusiasmada? Poder ver as maravilhosas lombadas de cerca de 4000 livros que constituíam a sua biblioteca e a sala da literatura com diversos estudos de esculturas dos mais ilustres escritores da literatura portuguesa, alguns, cujos trabalhos finais encontrarão pelo país. Seleccionei dois que achei particularmente interessantes:

Eça e a Verdade, actualmente em Lisboa

 

O que seria o túmulo de Almeida Garrett, no Mosteiro dos Jerónimos, se não tivessem mudado de ideias e o colocado no Panteão Nacional. 

27
Ago15

Decidi ler o Mein Kampf

Hoje decidi ler o Mein Kampf de A. Hitler. Já me havia debatido muito com esta possibilidade, com pontos positivos e negativos, mas hoje foi a gota de água. 

 

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Este senhor, segundo as milhares de partilhas no Facebook é um terrorista que se fez passar por refugiado para se infiltrar na Europa. Como sabem disso? Fácil, basta olhar para ele. Está com arma, tem cara de muçulmado, é certamente um terrorista do ISIS. 

Ups... afinal parece que ele foi entrevistado e identificado como sendo um comandante rebelde sírio, ex-estucador, que fugiu da fome e da morte como outros milhares de refugiados sírios. 

Como deverão imaginar, a notícia que circula aos milhares não é a notícia verdadeira, mas a falsa. 

 

É fácil dizer que todos os muçulmanos são terroristas. Mas é tão fácil como perigoso. É perigoso porque desumaniza milhões de pessoas. Não são pessoas, são muçulmanos, são eles. Se soubessem o quanto me tem assustado ouvir este eles tão frequentemente...

 

Eu não sou ingénua. Não sou ingénua a pensar que não haverá terroristas a entrar na Europa com refugiados. Mas também não sou ingénua ao ponto de pensar que eles não chegam cá sem a vaga de refugiados (pelo menos não têm tido problemas em actuar nos EUA). E menos ainda que só são terroristas os muçulmanos. 

 

Acima de tudo não sou ingénua ao ponto de pensar que este eles diz muito mais de nós, do que as pessoas gostariam de pensar. 

 

Um dia, eles foram judeus. Eles eram a raiz de todos os males, do crime à economia. Eles fugiram em vagas com nazis infiltrados. E nós juramos, do alto da nossa superior moralidade ocidental, que nunca deixaríamos que isso voltasse a acontecer.

 

Está a acontecer.

 

Claro que, a generalidade das pessoas não se identifica com a classificação de nazi ou de extrema direita. Na verdade, só estão a defender o seu país, a sua família contra eles. O problema é que esse era o discurso de Hitler. Mas as pessoas parecem querem manter-se na ilusão que o seu discurso não corresponde a algo que se habituaram a ver como o mal. 

 

Os americanos têm uma expressão divertidíssima: if it talks like a duck, and walks like a duck, than it is a duck (que grasna como um pato e caminha como um pato, então é um pato. Se tens um discurso de extrema direita és de extrema direita.

 

Acredito na intrínseca bondade das pessoas. Acredito que é o medo que está a levar a esta falta humanidade e empatia para com seres humanos a morrer às centenas, aos milhares. Acredito, mas não sou ingénua ao ponto de achar que são todos boas pessoas com medo. Uma boa parte é simplesmente preguiçosa.

É fácil dizer não. É fácil dizer: vocês ficam aí a morrer desse lado, que eu tenho a minha vidinha para tratar.

O problema é que, quando recusamos a entrada na Europa de refugiados a estão a morrer à fome, a serem gaseados, isso diz muito mais da nossa humanidade que da deles.

 

Por isso, decidi ler o Mein Kampf. No mínimo, quando as boas pessoas começarem com o seu discurso, quero poder dizer-lhes, com toda a verdade, que Hitler concordaria com elas.

25
Ago15

Encontro para almoço com Flannery O´Connor

Durante o intervalo de almoço, é frequente ir passar o tempo na biblioteca mais próxima do meu local de trabalho. Costumava comer frente ao computador, mas não há nada como livros para me fazer levantar da cadeira. Se não for levantar ou entregar um livro, vou ler um conto. 

 

Neste momento estou a ler os contos de Flannery O´Connor, na colectânea Gerânio. Almoço, faço uma caminhada, leio um conto e volto para o trabalho. Nada mau!

 

E por falar em livros lidos, que tal a própria Flannery O´Connor a ler A Good Man is Hard to Find?

 

 

25
Ago15

Moby Dick no cinema

No que respeita a adaptações cinematográficas, desconheço por completo quantas andaram por aí de Moby Dick. Mas sei que há uma que quero muito ver: a versão de 1956. 

Porquê?

1 - Com Gregory Peck a fazer de Capitão Ahab 

2 - Com realização de John Huston 

3 - Com argumento de Ray Radbury

 

Não preciso de outros motivos. 

 

Enquanto não o desencanto numa biblioteca pública, a Cláudia encontrou um mimo. No Coração do Mar é uma história de  Nathaniel Philbrick que narra a tragédia do navio baleeiro "Essex" que em 1820, no Pacífico, foi abalroado por uma baleia, vindo a afundar. E foi precisamente esta história que inspirou o Moby Dick de Herman Melville. [estreita prevista para 10 de Dezembro] 

 

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25
Ago15

Scribd - 14 dias de experiência

Hoje terminei o meu período experimental grátis no Scridb. Depois de 14 dias, a conclusão é ADOREI A EXPERIÊNCIA.

Mas a partir de Setembro o Scribd já não terá o acesso ilimitado nos audiolivros, obrigando a pagar a mensalidade + o valor do livro; confesso que foi apenas isso que me demoveu de prolongar a experiência por mais 3 meses (comprando um gift card por 25 dólares).

 

Audiolivros em 5 notas pessoais:

 

1. Permite-me multiplicar o tempo com os livros, podendo ouvi-los quando não seria possível ler:

a) num belo banho de imersão

b) durante a condução (da mesma forma que ouvem a rádio)

c) em transportes em que não posso ler porque enjoo

d) num local mais barulhento (não consigo ler com barulho)

e) enquanto faço tarefas chatas (por exemplo numa fila de um serviço ou até em compras no supermercado)

f) enquanto almoço

g) enquanto preparo uma refeição ou arrumo algo

h) a caminhar

 

2. Permite-me "ler melhor"

A experiência de ouvir Between the World and Me de e por Ta-Nehisi Coates é uma experiência superior a ler o livro. Uma das minhas apostas, para o curto tempo que tinha, foi em memórias lidas pelo autor e não me arrependi. É no audiolivro que estão as entoações e as inflexões, o tom intimista com que se dirige ao filho. 

Um audiolivro bem lido pode ser muito melhor que um livro lido.

 

3. Os "géneros" preferidos para audiolivros

Confesso que não tive oportunidade de experimentar a ficção no Scribd. Fiquei-me pelos valores seguros: não ficção e memórias (em especial quando têm humor).

Porém, já há muito que ouço títulos no Librovox e no podcast New Yorker Fiction (contos) com sucesso. Ter alguém a ler para nós é, sem dúvida, uma forma de expandir a nossa experiência de leitura. Em alguns livros, é mesmo uma forma de lhe dar uma leitura profissional; ou ainda de lhe dar uma musicalidade, como é ouvir ler Shakespere.

Ainda assim, o tempo não dá para tudo e noto que tenho deixado a ficção para o papel e a não ficção para o audio. Isto porque ouço em bocados e é mais fácil interromper e retomar um livro de não ficção que um de ficção (para mim).

Outro género que gosto de ouvir é poesia. Gosto da melodia das palavras.

 

4. Velocidade

Between the World and Me tem 176 páginas ou 4 horas de audio. Embora varie de acordo com a obra (e até a edição), eu consigo ler  umas 40 páginas por hora de uma página mais densa (por exemplo o Moby Dick).

Senti que consigo ler mais rapidamente que o audiolivro.

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