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Diário de Leituras

"O regresso à cultura. Sim, autenticamente à cultura. Não se pode consumir muito se se fica tranquilamente sentado a ler livros."

Diário de Leituras

"O regresso à cultura. Sim, autenticamente à cultura. Não se pode consumir muito se se fica tranquilamente sentado a ler livros."

29
Out15

Todos devemos ser feministas - Chimamanda Ngozi Adichie

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Chimamanda Ngozi Adichie é mais uma adição ao meu catálogo de livros a ler, graças ao podcast BookRiot. Este e o Americanah foram os primeiros títulos que entraram na minha lista, mas consta que toda a sua bibliografia merece uma leitura.  

Este pequeno ensaio (mais um conto) - Todos devemos ser feministas - tem como base uma TEDTalk e pretende sensibilizar a comunidade para a importância de todos sermos feminista - uma pessoa que acredita na igualdade social, política e económica entre os sexos. E pretende quebrar os preconceitos em relação à palavra. 

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A familiaridade com todos os tópicos acaba por ser muito triste.

Também eu me recordo de um episódio na minha vida que traduz muito bem o impacto do "olhar masculino" na escolha de vestuário.

Ia para uma reunião num cliente do meu irmão mais novo (eu já com trintas). Estávamos num dia quente e levava um top com decote em V (alças largas) e levava um blazer no braço. Ao sairmos ele disse-me que assim (não reparou no casaco) não ia à reunião. Defendi-me com o casaco quando deveria tê-lo mandado ir à reunião sozinho. Até hoje envergonha-me não ter reagido de outra forma. 

Ceder um bocadinho é ceder, é deixar que determinem o que vestimos o que fazemos. É sempre uma forma de cumplicidade.

A cultura não faz as pessoas. As pessoas fazem a cultura.


Mas a discriminação de género não é perspectivada por  Chimamanda Ngozi Adichie como apenas um problema no feminino (embora esmagadoramente no feminino). Ontem, um jornal reportava que "a violência doméstica deixou 122 crianças órfãos" e apenas estamos a falar de 2015.

O problema da questão de género é que se foca naquilo que devemos ser em vez de reconhecer como somos de verdade. Seríamos bem mais felizes, mais livres para sermos quem realmente somos, se não tivéssemos o peso das expectativas do género. Os homens e as mulheres são inegavelmente diferentes em termos biológicos, mas a sociabilização exagera essas diferenças.

 

26
Out15

To TBR ou não TBR... eis a questão

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A minhas escolhas de leitura variam imenso: listas, desafios ou clubes de leitura, ou então vou pegando em livros à medida que me apetece (seja em casa, seja na biblioteca).

 

Frequentemente não cumpro os meus objectivos de leitura porque sou gulosa ("enfio" outros livros pelo meio da TBR já repleta). 

 

Ainda assim, continuo a fazer listas e a juntar os livros que quero ler JÁ. Leia ou não, deixou de ser importante. Já estou suficientemente grandinha para não me preocupar com isso.

 

O meu objectivo não é ler X livros, é criar listas (e eu adoro listas) que se traduzam em boas selecções, que sejam um bom aproveitamento do pouco tempo que tenho disponível. 

Ao materializar essa lista em cima da minha secretária, isso funciona como um lembrete de que o tempo que passo em navegação acéfala no computador, pode ser transformado em actividade mais produtiva. 

 

Por isso, já comecei a minha TBR de Novembro.

25
Out15

A vida imortal de Henrietta Lacks

O melhor livros de não ficção que li até hoje. Ponto final. 

 

As células humanas normais "dividem-se apenas um número finito de vezes, depois param de crescer e começam a morrer." O número de vezes que se podem dividir é específico (cerca de 50 vezes) e chama-se "limite de Hayflick". Mais, existe "uma cadeia de ADN no final de cada cromossoma, chamada telómero, que se encurtava um pouco a cada divisão celular (...) param então de se dividir e começam a morrer". A nível celular, é assim o envelhecimento.

 

As células cancerosas de Henrietta Lacks nunca envelhecem e nunca morrem. Dividem-se sem limites e por isso são imortais.

 

No Hospital John Hopkins foram recolhidas células a Henrietta Lacks sem a sua autorização. Depois, multiplicadas e comercializadas aos milhões. Essa é a história e da sua família, que viveu com a descoberta e com a exposição. Uma família tão pobre que raciona medicamentos para os poupar e não tem dinheiro para consultas médicas. Mais, que foi testada sem o seu consentimento e que vivia na ignorância de compreender o significado de haverem "células vivas", partes da sua mãe... algures.

Deborah não conseguia deixar de se preocupar. Estava aterrorizada por poder ter cancro, e consumida com a ideia de que os investigadores haviam feito - e talvez continuassem a fazer - coisas horríveis à sua mãe. (...) Deborah começou a interrogar-se se, em vez de testarem os filhos Lacks à procura de cancro, eles estariam de facto a injectá-los com o mesmo sangue mau que provocara a morte da mãe.

 

...) sempre pensei que era estranho, se as células da nossa mãe fizeram tanta coisa pela medicina, porque razão a família dela nem sequer tem dinheiro para ir ao médico? Não faz sentido. As pessoas ficaram ricas à conta da minha mãe sem que nós soubéssemos que lhe tinham tirado as células, e agora não vemos um tostão. Costumava ficar tão zangada com isso que adoeci e tive de tomar comprimidos. Mas já não tenho forças para lutar. Só quero saber quem foi a minha mãe. 

 

Mas é também um livro sobre as experiências e aberrações médicas sem o conhecimento dos pacientes, em especial nas comunidades negra, prisional e indigentes:

A pesquisa fazia parte de um estudo para examinar métodos de redução de chumbo, e todas as famílias envolvidas eram negras. Os investigadores tinham tratado várias casas em graus variáveis, depois haviam encorajado os senhorios a arrendá-las a famílias com crianças para poderem monitorizar os níveis de chumbo nas crianças.

 

Quando precisou de comprar óculos, deixou que os investigadores o infectassem com malária para estudar um novo medicamento.

 

Fiquei a conhecer estas e outras experiências (como o estudo de Tuskegee).

 

É uma leitura que recomendo vivamente. 

 

Já agora, para continuar a ler sobre o livro e Henrietta Lacks, encontrei este artigo do NY Times.

 

 

 

 

 

20
Out15

As primeiras coisas- Bruno Vieira Amaral

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 Prémio José Saramago 2015

Homenageando a figura do Nobel da Literatura, José Saramago, este prémio foi criado em 1999 pela Fundação Círculo de Leitores. Afirmando-se como um dos mais importantes prémios literários atribuídos no âmbito da lusofonia a autores com obra publicada em português, e com idade não superior a 35 anos, foram distinguidos(as) em anos anteriores: Paulo José Miranda, José Luís Peixoto, Adriana Lisboa, Gonçalo M. Tavares, Valter Hugo Mãe, João Tordo, Andréa del Fuego e Ondjaki. (Fundação José Saramago)

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