Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

Diário de Leituras

"O regresso à cultura. Sim, autenticamente à cultura. Não se pode consumir muito se se fica tranquilamente sentado a ler livros."

Diário de Leituras

"O regresso à cultura. Sim, autenticamente à cultura. Não se pode consumir muito se se fica tranquilamente sentado a ler livros."

26
Nov15

O Fotógrafo e a Rapariga - Mário Cláudio

l1.jpg

 

Esta pequena novela tem tanto de belo como de perturbador.

Sobre a relação entre Alice Lidell (a Alice do País das Maravilhas) e Charles Dogson (que viria a apresentar-se com o pseudónimo de Lewis Carroll), leva-nos ao íntimo (ficcionado) destas duas personagens. Mas o que mais gostei foi que se tornou, pelas referências que são feitas, a leitura perfeita para quem escolheu 2015 para ler "Alice no País das Maravilhas" e "Alice no outro lado do espelho". Recomendo a triologia. 

 

A curiosidade levou-me a ler alguns textos pela internet sobre esta ligação. Um bom mistério é assim: há um diário (de Lewis Carroll) ao qual faltam algumas páginas, precisamente aquelas respeitantes ao período em que Lewis Carroll parece ter entrado em desfavor na  família de Alice. Teria ele pedido a mão em casamento da pequena de 11 anos? Ou na verdade andava atrás da governanta e da mãe?

 

Fiquei com imensa curiosidade de ler as primeiras obras da triologia, por Mário Cláudio: Boa noite, Senhor Soares / Retrato de Rapaz.

26
Nov15

Açucar, o pior inimigo - Richard P. Jacoby, Raquel Baldelmar

1.JPG 

Começo por dizer que sou particularmente exigente no que respeita a não ficção, especialmente ligada à saúde. Tenho um ódio de estimação aos livros que têm circulado de pseudo-ciência, em especial os que publicitam curas milagrosas associadas a dietas.

 

Tendo feito a advertência, não vos posso dizer que este é um dos casos. Não tenho conhecimentos suficientes para isso, mas há coisas que me arrepiam ver em livros de informação médica, como por exemplo:

"seria mais fácil para mim submeter-me à convenção médica e designa-lo como uma hipótese - um palpite informado, com base na observação e na minha experiência de cirurgião-, pois, de acordo com o paradigma médico, uma teoria é algo que pode ser desacreditado através de experiências laboratoriais, pelo que desafio qualquer pessoa a fazê-lo. Entretanto, enquanto aguarda pela burocracia médica para obter a confirmação, pode simplesmente cortar o açúcar da sua dieta e salvar-se.

 

Na minha opinião isto é arrogância que associo a charlatães. Basicamente o que o autor vos diz é: eu não chamo a isto hipótese - o que seria correcto, face ao facto de a única evidência ser "a minha observação" e a "minha experiência", mas como não há estudos científicos que o provem ou não provem, simplesmente façam o que eu digo. 

 

Isto não é científica, é pseudo-ciência.

 

Mais, vão encontrar "teorias" como a associação do açúcar a determinadas doenças como por exemplo o Alzheimer... páginas e páginas, cuja substância se resume a isto:

As doenças seguintes são as que provavelmente não associa à dieta ou ao açúcar; contudo, acredito que as evidências fundamentam que a sua origem está em consonância com a teoria da compressão global. 

Em suma, não há provas científicas, mas eu acredito e por isso deve ser verdade.   

 

Os autores recorrem frequentemente à fórmula das "imagens de cancro nas embalagens de cigarro", descrevendo as doenças mais terríveis para assustar o/a leitor/a.

No final, claro está, uma dieta que eu sumarizo: deixem o açúcar e comam vegetais. E já agora, bebam café com uma colher de manteiga, em vez do açúcar. (sim, leram bem e sim, é a base de uma outra dieta milagre... haja paciência)

 

Finalmente, o mesmo tipo de  informação está dispersa em distintos capítulos, tornando a leitura confusa. Falta-lhe estrutura e falta alguma capacidade de transmitir informação mais complexa de forma mais pedagógica. 

 

Para quem tem uma diabética na família e um historial de diabéticos extenso na história familiar, este livro foi uma desilusão.

25
Nov15

O Diário de Anne Frank no domínio público - parte 2

Já havia mencionado que, de acordo com as regras de direitos de autor na Europa, o Diário de Anne Frank deveria entrar no domínio público em 2016. Porém, a fundação que gere o espólio da família (nomeadamente os direitos de autor), estaria a invocar excepções para que isso não acontecesse.

Pois bem, sabe-se agora que excepção invocada foi de que Otto Frank (o pai) seria co-autor (pela edição de texto que foi feita) e, porque não passaram mais que 70 anos da sua morte, esses direitos de autor ainda não expiraram. 

 

Na minha modesta opinião, a tentativa de criar um regime de excepções duvidoso é no mínimo grave e cria um perigoso precedente no campo do direito que se quer claro e estável. Mas é particularmente grave que o argumento que seja invocado seja da co-autoria, quando se trata de um diário cuja veracidade está intimamente ligada à verdade dos horrores do Holocausto. 

 

Felizmente há quem associe os valores à coragem e, por isso, um académico e uma procuradora do Ministério Público francês (Isabel Attard) irão desafiar esta atitude da fundação, publicando online o Diário de Anne Frank, no dia 1 de Janeiro de 2016 (Guardian).

 

Isabel Attarr argumenta que muitos dos que negam ou negaram a existência dos campos de exterminação, tentaram atacar a veracidade do diário e, por isso, dizer que o diário não é apenas de Anne Frank é diminuir o seu valor enquanto testemunho dos horrores da guerra.

 

Mais, Isabel Attarr lembra que é particularmente importante, pelo seu simbolismo, que o Diário entre no domínio público, precisamente na mesma data em que entrará o Mein Kampf de Hitler.

20
Nov15

The Wild One - Danelle Harmon

romance.JPG  

England, 1776: Lord Gareth de Montforte is known as an irresponsible rake with a heart of gold. When he takes a bullet for boldly thwarting a stagecoach robbery, he is stunned to discover that the beautiful young woman he has heroically rescued, Juliet Paige, is his deceased brother’s American fiancée, accompanied by her infant daughter. Despite his brother the duke's refusal to acknowledge Juliet, Gareth is determined to do right by the courageous woman who crossed an ocean to give her baby her rightful name. But Juliet is wary of marrying this black sheep aristocrat, even while she is hopelessly charmed by the dashing devil. Never has she met anyone who embraces life so thoroughly, who makes her laugh, who loves her so well. And, even when it seems the odds are against them, Juliet has absolute faith that Gareth will go beyond the call of duty, risking his life itself to give her and her daughter a home — and a love that will last a lifetime.

 

No dia em que este post foi escrito, o acesso a este livro era gratuito, na loja Amazon.com. 

 

Este é um género a que recorro para leituras no telemóvel e para esvaziar a cabeça. Em regra, a leitura é fluida, linear e básica e a resolução final é garantida. Os maus perdem, os bons têm o seu final feliz, tudo vai bem com o mundo. É a minha pilulazinha da felicidade instantânea, remédio garantido para esvaziar o cérebro. 

Pág. 1/3