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Diário de Leituras

"O regresso à cultura. Sim, autenticamente à cultura. Não se pode consumir muito se se fica tranquilamente sentado a ler livros."

Diário de Leituras

"O regresso à cultura. Sim, autenticamente à cultura. Não se pode consumir muito se se fica tranquilamente sentado a ler livros."

31
Dez16

Furiously Happy - Jenny Lawson

O último livro de 2016 e o primeiro de 2017. 

Estou a aproveitar o período experimentar do Playster para ouvir a Jenny Lawson a ler o seu Furiously Happy. Não pude deixar de me rir só do facto de ter descoberto que o animal é verdadeiro - apesar de empalhado - e que se chama Rory. 103168.jpg

Depois de ler, em tantos posts, que havia sido o mais hilariante de 2016, decidi por de lado o meu preconceito em relação à "moda" de livros com memórias sobre a saúde mental. 

Depois de ouvir alguns capítulos de Furiously Happy, só posso concluir que é necessário que surjam MAIS livros sobre saúde mental.

 

Lembrei-me agora das pessoas que detestam audiobooks. Não sabem o que estão a perder.

27
Dez16

2017 - Ler ficção em língua portuguesa

2016 #leiamulheres

2017 #línguaportuguesa 

 

Tracei ambos os objectivos em 2015 e não me arrependi de nenhum pelo que, dedicarei o ano de 2017 à leitura de autores de ficção apenas em língua portuguesa: Angola, Brasil, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Moçambique, Portugal, São Tomé e Príncipe, Timor-Leste.

 

Utilizando a ferramenta do Goodreads que permite seleccionar duas "estantes", rapidamente percebi que em casa tenho 104 livros não lidos (ou que desejo reler) que correspondem a esse critério. 

 

Estou particularmente interessada em apostar em novos/as autores/as e maior diversidade. 

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(encontrarão o resultado no final da página)

 

No que respeita a novas aquisições, vou poder comprar os livros que quiser, desde que haja cabimento na minha mesada de €10 para maluquices ou do resultado de vendas de outros livros (ou seja, lê das estantes Cristina!).

 

2017 também vai ser um ano de mais não ficção, em que o meu único objectivo é ler mais, independentemente do género ou nacionalidade do/a autor/a.

 

No que respeita a quantidade, mantenho o meu número ideal de ler 52 livros/contos/novelas, ou seja, 1 por semana. É a forma de me lembrar que é mais saudável o nariz nos livros que os olhos no ecrã.

26
Dez16

2016: Os mais marcantes do meu diário de leituras

Em 2016 decidi apenas ler mulheres. Ao restringir as minhas leituras, eu estava, na verdade a procurar aumentar os meus horizontes literários. Queria conhecer novas autoras, autoras de períodos em que não seria fácil para as mulheres serem escritoras, queria ler autoras que sempre conheci e nunca li, e descobrir autoras completamente desconhecidas.  

 

No que respeita a leituras, 2016 foi o melhor ano que já tive. Não se trata de qualidade (real ou percepcionada) de livros lidos ou da quantidade de livros que li, mas do prazer de ler estes livros, da motivação em ler mais (da autora cujo livro terminara, de um outro para o qual ela remetia, ou sobre o tema que desejava continuar a explorar). 

 

Depois de um ano a ler mulheres, não vos sei dizer se existe uma literatura ou voz feminina, mas sei nunca encontrei o feminino como o encontrei nas Novas cartas portuguesas (Maria Isabel Barreno, Maria Teresa Horta, Maria Velho da Costa). Na verdade, pergunto-me como foi possível só descobrir este livro e estas autoras aos 40 anos. 

 

De entre a ficção em língua estrangeira tenho de destacar o deslumbre que foi descobrir a triologia Gilead de Marilynne Robinson. Na verdade, ainda me falta um dos livros, mas lá chegarei.

 

Outra leitura, que foi sem dúvida um ponto alto do meu ano literário, foi A de Açor (Helen Macdonald). Tivesse eu as palavras... Magnífico, envolvente, melancólico, avassalador,...

 

Em 2016 rendi-me à saga Harry Potter. Li-a TODA! Foi muito divertido, não me lembro da última vez que li fantasia ou uma saga, para ser honesta. Foi fantástico partilhar Harry Potter com as leitoras mais jovens e partilhar o entusiasmo delas. 

 

E por falar em Saga, finalmente consegui ler alguns volumes da hiper badalada novela gráfica. Se mais tivesse à mão, mais teria lido. Adorei!!!

 

Foi também em 2016 que comecei a reler Agatha Christie, sempre uma leitura de conforto porque nunca desilude.


Uma outra descoberta foi o quanto estou a gostar de ler não ficção. Tinha como objectivo de me tornar uma mais esclarecida cidadã do mundo, mas não esperava encontrar leituras tão diversas como interessantes (e viciantes). Destacaria:

- A sexta extinção, Elizabeth Kolbert
- Vítimas de Salazar, Irene Pimentel e outros
- Viver pela liberdade, Maria Antónia Palla
- Portuguesas com história, Anabela Natário (vários volumes na minha estante, que comecei a ler)
- História do Porto (vários volumes na minha estante, que comecei a ler)

 

Finalmente, a releitura de Jane Eyre, de Charlotte Brontë, uma obra que revisito de tempos a tempos. É magnífico.

 

Há tanto mundo nos livros!

24
Dez16

A noite de Natal - Sophia de Mello Breyner Andresen

E mostrou-lhe a casa da lenha onde dormia um gato.

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Os livros infantis de Sophia de Mello Breyner Andresen estão particularmente ligados à quinta dos seus avós, hoje Jardim Botânico do Porto. 

 

A minha foto preferida, de uma visita ao espaço é da porta da “casa do gato”. Esta casa não era da lenha, mas o armazém da horta da quinta. O buraco na porta era para os gatos entrassem e impedissem os ratos de comer os alimentos armazenados. 

 

- E achas que o meu amigo vai ter muitos presentes?

- Qual amigo? - disse a cozinheira.

- O Manuel.

- O Manuel não. Não vai ter presentes nenhuns.

- Não vai ter presentes nenhuns?

- Não. - disse a Gertrudes abanando a cabeça.

- Mas porquê, Gertrudes?

- Porque é pobre. Os pobres não têm presentes.

- Isso não pode ser, Gertrudes.

- Mas é assim mesmo - disse a Gertrudes fechando a tampa do forno.

Joana ficou parada no meio da cozinha. Tinha compreendido que era "assim mesmo".

21
Dez16

O livro negro - Hilary Mantel

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O Livro negro é o segundo livro de uma triologia de Hilary Mantel sobre a vida de Thomas Cromwell na corte de Henrique VIII. 

O primeiro livro - Wolf Hall - acompanhava Thomas Cromwell enquanto Henrique VIII se apaixonava por Anne Boleyn e os esforços que desenvolveu para se casar com ela e anular o seu casamento com Catarina. 

No segundo livro, vemos o casamento de Henrique VIII desmoronar e termina com a cabeça de Anne Boleyn a rolar. 

 

O extraordinário em Hilary Mantel é a primazia da sua escrita e a forma como nos mantém em suspensão, sem querer parar de ler, apesar de sabermos como vai acabar a história. 

 

Não é de admirar que Hilary Mantel tenha vencido, com estes livros, o prémio Man Booker. 

 

Aguardarei pacientemente por The Mirror and the Light, a terceira obra da triologia. 

 

Até lá, a senhora que se segue é Harriet B. Stowe com A cabana do Pai Tomás (se conseguir aguentar as letras pequeninas da edição que consegui arranjar).

 

18
Dez16

"A vida adulta está cheia de fantasmas"

Porque ele era um sonâmbulo, agora Clark dava-se conta disso, atravessando meio a dormir as rotinas da vida há já algum tempo, anos mesmo; não era propriamente infeliz, mas quando fora a última vez que sentira alegria verdadeira no trabalho? Quando fora a última vez que se sentira verdadeiramente tocado por algo? Quando fora a última vez que sentira admiração ou inspiração? Desejou poder recuar, de alguma forma, e encontrar os donos de iPhones que empurrara no passeio momentos antes, pedir-lhes desculpa - "sinto muito, acabo de me aperceber de que só estou minimamente presente como você, não tinha o direito de o julgar" (...)

 Estação Onze - Emily St. John Mandel

18
Dez16

O colapso

 

Houve a gripe que explodiu como uma bomba de neutrões sobre a superfície da Terra e o choque do colapso que se seguiu, os primeiros anos inenarráveis quando toda a gente viajava, antes de toda a gente se aperceber de que não havia lugar para onde se pudesse ir onde a vida tivesse continuado como até então, e instalaram-se onde podiam, muito juntos para garantirem a sua segurança, em armazéns de transitários, antigos restaurantes e velhos motéis. A Sinfonia Itinerante deslocava-se entre as povoações do mundo transformado e faziam-no desde que passaram cinco anos após o colapso, quando a maestrina reunira o grupo de amigos seus da orquestra militar, abandonado a base aérea onde viviam, e juntos se aventuraram na paisagem desconhecida.

 

Estação Onze - Emily St. John Mandel

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