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Diário de Leituras

"O regresso à cultura. Sim, autenticamente à cultura. Não se pode consumir muito se se fica tranquilamente sentado a ler livros."

Diário de Leituras

"O regresso à cultura. Sim, autenticamente à cultura. Não se pode consumir muito se se fica tranquilamente sentado a ler livros."

27
Jul17

Man Booker Prize 2017 - Lista de nomeações

A primeira lista (longlist) de nomeados para o Man Booker Prize 2017 já foi publicada.

BookStack

4 3 2 1 by Paul Auster (US)

Days Without End by Sebastian Barry (Ireland) 
History of Wolves by Emily Fridlund (US) 
Exit West by Mohsin Hamid (Pakistan-UK)
Solar Bones by Mike McCormack (Ireland) 
Reservoir 13 by Jon McGregor (UK) 
Elmet by Fiona Mozley (UK) 
The Ministry Of Utmost Happiness by Arundhati Roy (India) 
Lincoln in the Bardo by George Saunders (US) 
Home Fire by Kamila Shamsie (UK-Pakistan)
Autumn by Ali Smith (UK) 
Swing Time by Zadie Smith (UK)
The Underground Railroad by Colson Whitehead (US)

 

É impressão minha, ou esta é uma lista mais diversa que o habitual?

25
Jul17

Não terminado - O novíssimo testamento

 

Confesso que era uma leitura para a qual tinha algumas expectativas. A premissa era fantástica - E se Jesus ressuscitasse mulher?, numa pequena vila em Cabo Verde? 

 

Adorei as primeiras páginas, com um cheirinho a la Saramago. Mas a verdade é que foi só isso. Não senti que a história ou as personagens fossem coesas. Havia páginas e páginas de listas (as primeiras até têm piada, depois é simplesmente um saltar de páginas), por exemplo, o conteúdo de uma mercearia. 

 

Mas vamos à história. Numa vila em Cabo Verde vivia uma beata que dedicou toda a sua vida à sua beatice. No leito da morte pede para ser fotografada, para espanto das suas 2 netas emprestadas. 

_Valha-nos Deus, chamem o médico, chamem o médico,

(...)

_Não chamam nada, na minha morte mando eu,

 

Claro está que a velha não podia dizer "Na minha vida mando eu", porém, com aquele trocadilho, estava a fazer uma clara alusão à vida que ela não vivera e por que sempre tivera curiosidades, sempre desejara experimentar, mesmo escondida atrás das rezas e dos terços, porém tal reacção era uma amostragem de todo o seu descontentamento, uma provocação e uma cobrança do que ela tinha na alma e em mente e que a alma e a mente nunca buscaram consenso... 

 

Porém, no momento que o fotógrafo dispara a máquina, a velha evapora-se, vindo a revelar-se como Jesus, quando a fotografia é também ela revelada.

 

Depois, é toda uma sociedade e os seus valores a revelarem-se perante o evento, com uma mistura saudável de religioso e profano, em algumas fabulações muito bem conseguidas. 

 

Ainda assim, não consegui que o livro me levasse para além das 150 páginas, apesar de ter momentos muito bem conseguidos. Fico com a sensação que, alguma edição levaria esta obra a uma versão mais coesa.

 

Há muito tempo que não desistia de um livro e sinto-me particularmente desapontada que tenha este. Mas a vida é demasiado curta. Quem sabe se um dia volto a ele.

 

A reler: O Evangelho segundo Jesus Cristo, José Saramago.  

21
Jul17

Educação literária

Como sou uma pessoa poupada (remediada), já imprimi as listas de livros constantes das metas curriculares de português (básico), para o próximo ano lectivo.

 

O meu objectivo é recorrer aos sites de trocas de livros para conseguir o maior número de obras possível, a custo zero.

 

Começo por perguntar à pequenada o que já têm, depois vejo o que há lá por casa, e também  imprimo algumas coisas (o ME disponibiliza os poemas num caderno de apoio do 7º ao 9º ano).

 

Estava de volta do da lista do 9º ano e constato que nada li, a não ser Camões e Gil Vicente, na escola. Excepção para dois contos de Eça de Queiróz. É mau!

 

Está visto que já tenho uma lista de leitura para as férias, ou não fosse 2017 o meu ano de ler literatura lusófona.

 

21
Jul17

Traduções à parte

A história é deliciosa. Um verdadeiro conto de fadas, em que uma tradutora auto-didacta se revelava, ao traduzir uma das obras do ano - The Vegetarian, de Han Kang, que viria a receber o Man Booker Prize.

 

 Aparentemente, não só era auto-didacta como tinha começado a aprender coreano há apenas 6 anos. 

 

Agora, parece que o destaque que a obra teve, levou a que muitos coreanos, ao ler a obra, questionassem a tradução. A controvérsia emergiu quando uma análise mais cuidada, terá demonstrado que a tradução tinha graves problemas.  

 

De acordo com um artigo científico, apresentado numa conferência na Ewha Womans University, 10,9% da primeira parte do romance estava traduzida incorrectamente (de erros pequenos a muito grandes) e 5,7% do texto original foi omitido. E como refere a notícia, isso apenas na primeira parte.

 

Mas o que é apontado como sendo mais grave são os aditamentos que a tradução teria feito, a cerca de 30% do texto original (ainda estamos na primeira parte).

 

Não consigo enfatizar o quanto o estilo de escrita de Han Kang é diferente em coreano. As frases de Han são esparsas e silenciosas, às vezes terminam em fragmentos. Em contraste, Smith usa um estilo alto e formal com floreados líricos. Como observou um crítico, a tradução tem um "tom do século dezanove", que lembra Chekhov. 

Isso altera mesmo como as personagens são retratadas. Smith faz o marido de Yeong-Hye parecer arrogante, sofisticado e pedante. Na verdade, ele é um tipo básico, tosco, inconsciente de seu próprio sexismo ou seus preconceitos. Meus alunos sentiram que o personagem era totalmente deturpado.

[A tradução é minha] 

 

Será caso para questionar quem ganhou o Booker?