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Diário de Leituras

"O regresso à cultura. Sim, autenticamente à cultura. Não se pode consumir muito se se fica tranquilamente sentado a ler livros."

Diário de Leituras

"O regresso à cultura. Sim, autenticamente à cultura. Não se pode consumir muito se se fica tranquilamente sentado a ler livros."

10
Set17

Literatura & Paraliteratura - snobismo literário numa guerra entre editores

Se não lesse o De Rerum Natura, desconhecia por completo que os editores da Relógio de Água e da Gradiva estão a debater-se numa guerra de palavras. Não em termos muito elegantes, na minha modesta opinião.

 

"Eu nunca editaria o José Rodrigues dos Santos mesmo sabendo que é o português que mais vende", DN 09/08/2017

Censores do gosto e da inteligência, DN 19/08/2017

Guilherme Valente, mentiras e esoterismo, DN 26/08/2017

O editor da Relógio D"Água em todo o seu esplendor, DN 09/09/2017

 

 

A definição de literatura é uma discussão antiga, que vem desde a Poética, de Aristóteles. Como se trata de noções em que a intuição desempenha um certo papel, fica-se um pouco na situação de Santo Agostinho, que sabia muito bem o que era o tempo quando não lhe perguntavam o que era. Mas definir paraliteratura é mais simples. Dou um exemplo: ao ler A Fórmula de Deus, O Codex 632 e A Mão do Diabo, de José Rodrigues dos Santos, ou os romances de Margarida Rebelo Pinto, sabe-se que não são literatura, porque é evidente que não absorveram o que de melhor até hoje ela produziu, antes buscam o divertimento por si e efeitos emocionais fáceis - para mostrar que uma personagem é sensível põem-na a tocar piano ou a contemplar o pôr do Sol. Os romancistas de que gosto são capazes de tocar no fogo sem medo de se queimarem, causam estranheza, abalam certezas e escrevem livros de que saímos diferentes do que éramos.

Francisco Vale, Relógio de Água

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