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Diário de Leituras

"O regresso à cultura. Sim, autenticamente à cultura. Não se pode consumir muito se se fica tranquilamente sentado a ler livros."

Diário de Leituras

"O regresso à cultura. Sim, autenticamente à cultura. Não se pode consumir muito se se fica tranquilamente sentado a ler livros."

21
Jul17

Lidos em 2017

Não Ficção

1. Furiously Happy - Jenny Lawson [audiobook]

2. Porto Cartoon World Festival 2014 B

3. Lab Girl - Hope Jahren  [audiobook]

4. Perdidamente, Correspondência amorosa 1920-1925 - Florbela Espanca (organização Maria Lúcia Dal Farra). B

5. O árabe do futuro 1 - Riad Sattouf [Novela gráfica]  B

6. Um mundo infestado de demónios - Carl Sagan E

7. Capitãs de Abril - Ana Sofia Fonseca  B

8. Comer para controlar a diabetes - Joana Ramos Oliveira B

9. Porto Desconhecido & Insólito - Histórias que (provavelmente) nunca ouviu - Germano Silva B

10. Génesis - Sebastião Salgado B

11. A história das coisas - Annie Leonard B

12. Pipocas com telemóvel e outras histórias de falsa ciência - David Marçal e Carlos Fiolhais B

13. Cleópatra - Stacy Schiff B

Pensar depressa e devagar - Daniel Kahneman  [a ler] B

 

Ficção

Casos em que o desafio foi esquecido: 

1. I Married a Billionaire - Melanie Marchande (ups! estava no tlm. e li sem me lembrar do desafio do ano; invoco em minha defesa que era a única coisa numa espera de horas).

2. A rainha das aves - Helen Ward E

Casos em que o desafio foi ignorado: 

3. A viúva e o papagaio - Virginia Woolf (lido a pedido da sobrinha, que me emprestou o livro)

4. Saga, volume 3 (quando te emprestam um volume da novela gráfica Saga, não desperdiças a oportunidade)

 

Novelas gráficas estrangeiras de ficção 

1. Democracia - Alecos Papadatos, Abraham Kawa e Annie Di Donna B

2. Maus - Art Spiegelman B

3. Anne Frank - biografia gráfica, Sid Jacobson & Ernie Cólon B

4. Alex + Ada #1,  Jonathan Luna, Sarah Vaughn

5. Alex + Ada #2,  Jonathan Luna, Sarah Vaughn

 

Portugal

1. Os passos em volta - Herberto Helder. B

2.O crime do Padre Amaro - Eça de Queiróz. E

3. Sermões - Padre António Vieira. E

4. Ana, uma investigação de Filipe Seems #1  - Nuno Artur Silva e António Jorge Gonçalves [Novela gráfica] B

5. A História do Tesouro Perdido, uma investigação de Filipe Seems #2 - Nuno Artur Silva e António Jorge Gonçalves [Novela gráfica] B

6. A Tribo Dos Sonhos Cruzados, uma investigação de Filipe Seems #3 - Nuno Artur Silva e António Jorge Gonçalves [Novela gráfica] B 

7. As incríveis aventuras de Dog Mendonça e Pizza Boy - Filipe Melo e Juan Cavia [Novela gráfica] B 

8. As extraordinárias aventuras de Dog Mendonça e Pizza Boy II - Filipe Melo e Juan Cavia [Novela gráfica] B 

9. Os vampiros - Filipe Melo e Juan Cavia [Novela gráfica] B

10. As fantásticas aventuras de Dog Mendonça e Pizza Boy III - Filipe Melo e Juan Cavia [Novela gráfica] B 

11. Os contos inéditos de Dog Mendonça e Pizza Boy - Filipe Melo e Juan Cavia [Novela gráfica] B 

12. A madona - Natália Correia E

13. História da Beleza Fria - Teresa Veiga  E

14. O último Eça - Miguel Real E

15. Poesia/Prosa - Nuno Júdice E

16. A colecção privada de Acácio Nobre - Patrícia Portela  B 

17. A dama pé-de-cabra - Alexandre Herculano (conto)  E

18. A ruiva - Fialho de Almeida (conto)  E

19. Crónica dos bons malandros - Mário Zambujal  E 

20. Adoecer - Hélia Correia   E 

21. O espaço vazio - Dick Haskins   E

O evangelho segundo Jesus Cristo - José Saramago (a ler)

A pior banda do mundo, vol.1  (a ler)

 

Angola

1. O homem que parecia um domingo - José Eduardo Agualusa E

2. Estação das chuvas - José Eduardo Agualusa E

 

Brasil

1. Ninguém mais se perderá por Luba - Luiz Lopes Coelho (conto)  E

2. Tungstênio - Marcello Quintanilha [Novela gráfica] B

3. Talco de vidro - Marcello Quintanilha [Novela gráfica] B

4. A sucessora - Carolina Nabuco  B

5. Gabriela, Cravo e Canela - Jorge Amado  E

6. Capitães da Areia - Jorge Amado  B 

7. Dona Flor e seus dois maridos E

 

Cabo Verde

1. Os flagelados do vento leste - Manuel Lopes  B 

2. Os dois irmãos - Germano Almeida  B

O novíssimo testamento - Mário Lúcio Sousa [desisti]   E

 

Guiné-Bissau

Moçambique

São Tomé e Príncipe

Timor Leste

 

B - Biblioteca

K - Kindle app (telemóvel e computador)

E - Estante

18
Jul17

Os dois irmãos - Germano Almeida

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No meu mês dedicado a Cabo Verde, assinalei alguns autores que ia encontrando, pela Internet, identificados como "referência" da literatura cabo-verdiana. Germano de Almeida era um desses autores. 

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Escolhi Os dois irmãos, porque algures, li que seria a sua obra mais popular. 

 

Os dois irmãos é a história de um fratricídio, em que André mata o irmão (João) porque este cometeu adultério com a sua esposa. Parece um caso simples, mas não é:

Logo nos primeiros dos dois dias que tinha demorado o julgamento ele tinha sido colocado perante uma constatação de certa forma embaraçosa: depois do público conhecimento dos factos que estavam na origem do fratricídio, aquela luta tinha sido reputada como tão certa e tão absolutamente necessária que parecia que até ao fim continuava escapando ao entendimento de todo o povoado a razão porque André tinha levado tanto tempo a consumá-la.

 

É essa dúvida que assolará o juiz, durante todo o julgamento e é no decurso desse que se vai desenrolando um novelo de histórias, entre tensões sociais e sentimentos pessoais.

É também um retrato de uma sociedade que vive entre duas forças e choques, entre a tradição e a modernidade. Se por um lado temos a vida fechada da aldeia, por outro as intrusões dos seus filhos que começam a sentir-se puxados por uma vida exterior (emigração) moderna e cosmopolita.

 

Vou ser honesta, senti-me verdadeiramente puxada por este livro e não consegui parar de ler, até (também eu), saber o que tinha acontecido naquele intervalo de 3 semanas, em que André não matou o seu irmão.

16
Jul17

Os flagelados do vento leste - Manuel Lopes

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Doía-lhe ver as crianças metidas nas misérias deste mundo. Os homens podiam evitar isso. Fingir que não há sofrimentos no mundo, fingir que a vida não é o que é... Qualquer coisa assim... à custa de todos os sacrifícios, se fosse preciso... Quase odiou esses dois esqueletos que se afastavam. Surgiam, assim, no meio das suas fantasias. Essa brutal intromissão da realidade mostrava, por momentos, a inconsistência dos seus sonhos. O peso da vida estorvava-lhes o esvoaçar das asas...

 

 Os flagelados do vento leste, de Manuel Lopes não é uma leitura fácil. A razão é pelo vocabulário cabo-verdiano, mas pela dramática temática - a fome, de quem vive dependente dos elementos naturais, para a sua sobrevivência. Lembrou-me, frequentemente, de O Quinze de Rachel de Queiróz. Infelizmente, a fome e a pobreza são elementos universais.

 

(...) e as mulheres daqueles que não tinham coragem pensavam na fome que bateria primeiro às portas das mulheres dos que dividiam o seu milho com essa terra que nada lhes prometia, e cujos filhos, famintos, iriam um dia arastar-se sobre cada cova para desenterrar, ardidos, grão a grão, os milhares de grãos que os pais, sem dó, estavam enterrando agora...

 

Em Os flagelados do vento leste, vamos seguir os destinos dos diversos elementos da família do agricultor José Cruz, bem como dos seus vizinhos, quando as suas culturas são queimadas por um vento leste, aliado a períodos de secas. As personagens são desenvolvidas com mestria, gerando verdadeiras imagens universais, porque também são universais os sentimentos: coragem, desespero, bondade, crueldade...

 

Estranho, mas durante toda a leitura deste livro, vinha-me à mente a imagem de uma senhora de idade, no meio de terra queimada, a dizer "Primeiro foi o fogo, agora a fome." Pese embora os problemas, sinto-me agradecida por viver num Estado Social.

 

Mas não só, também pensava na esperança dos projectos de reflorestação de desertos. E por falar em projectos... tenho de consultar o meu saldo KIVA.

 

Os livros levam-me sempre por caminhos imprevisíveis.

 

09
Jul17

Cleópatra - Stacy Schiff

1

Cheguei a este Cleópatra porque desejava ler Stacy Schiff, vencedora do Prémio Putitzer de Biografia (em 2000, com Vera, Mrs. Vladimir Nabokov; tinha sido anteriormente nomeada com a biografia de Saint-Exupéry). A minha biblioteca só tinha Cleópatra e, na verdade, como resistir ao chamamento de tal personagem?

 

Do início ao fim, Stacy Schiff recorda-nos que a reconstituição da biografia de Cleópatra é dificultada pela forma como a historia é reescrita pelos vencedores e os seus historiadores oficiais. Na verdade, a sua biografia é feita de relatos dispersos, a partir de 60 anos, após a sua morte, por quem nunca a conheceu.

 

Mais, perante o estatuto das mulheres, na sociedade alexandrina, incomparável em Roma e incompreensível para os romanos, não ajudou que a sua história fosse contada por homens.

 

Existem muitas estátuas de homens a matar leões mas, se os leões fossem escultores, talvez as estátuas fossem muito diferentes.

Ésopo

 

Começo a biografia e recebo a minha primeira lição de história: "os ptolomeus eram, na realidade, gregos macedónios, o que faz de Cleópatra tão egípcia como Elizabeth Taylor". E termino-a com a revelação de que a história da morte por serpente venenosa tão improvável como apetecível, num mundo masculino muito habituado a associar mulheres a serpentes. 

 

A Cleópatra que me é revelava é altamente culta (o historiador Plutarco atribui-lhe fluência em 9 línguas), astuta, inteligente e incrivelmente fascinante. 

 

Stacy Schiff, ao confrontar de forma sistemáticas as diferentes fontes, forma um retrato consistente, mesmo quando lhe aponta as inconsistências, reforçando a credibilidade do seu trabalho de investigação. 

 

Acabei com a sensação que tinha lido uma obra magnífica (devorada em 4 dias) e a prometer-me que não irei esquecer-me de incluir mais biografias no meu leque de leituras.

04
Jul17

Livros com ciência dentro

 

Neste início de Julho, terminei dois livros de não-ficção. A história das coisas, é um livro sobre o consumismo e toda a "vida" de uma coisa, desde a sua produção até à sua destruição. 

 

Aprendi imenso, fiquei chocada com o que não sabia e fez-me reflectir não só sobre a forma como consumo, mas também como não consumo.

Acima de tudo, fui confrontada com o facto de que, o meu processo individualista de faço-compostagem-não-bebo-água-engarrafada-reciclar-comprar-roupa-usada, não substitui uma responsabilidade social. Até porque, o grande problema não está no consumidor, mas na indústria.

É um livro tão fascinante, como obrigatório, para quem quer navegar este mundo informada/o.  

 

E se a vossa biblioteca pública não tiver este livro, façam como eu e peçam para comprar. Aliás, ele faz parte do Plano Nacional de Leitura.

 

Por onde começar? O método para fazer pipocas com a radiação de telemóveis? O orgasmo global pela paz? Star Wars? A cultura do engraçadismo? Horos-copos? Ou a ciência na escola? 

Escolham por onde escolherem, garanto pelo menos uma gargalhada (se tiverem pouco sentido de humor). Um pouco na linha de Um mundo infestado de demónios, de Carl Sagan (sem os extra-terrestres), David Marçal e Carlos Fiolhais desmontam vários exemplos de pseudociência.

 

Como deverão imaginar, um dos meus capítulos preferidos foi o "Falsa ciência no supermercado: uma vida melhor e com mais descontos".

Cada consumidor sente-se um bioquímico autodidata no corredor dos sumos e dos leites do supermercado. 

 

Divertido e extremamente didáctico.

 

Gostaria imenso de saber como reagiram ao Encontro Ciência 2007 ter iniciado com uma sessão sobre Yoga. 

 

13
Jun17

Adoecer - Hélia Correia

Em Adoecer, Hélia Correia faz um relato ficcionado da relação entre Elizabeth Sidall e Gabriel Rosselini, ambos pintores do movimento pré-rafaelita. 

Elizabeth Sidall, que começa como musa de cabelos vermelhos que invoca toda uma era de pintores vitorianos, acaba como começa o livro: a ser exumada, para que se recupere um livro de poemas que o seu marido deixou no seu caixão. Se eu não soubesse que ela concordaria, nunca teria consentido.- Foram as palavras deste, para justificar a sua atitude. 

Apesar do livro estar centrado na relação de ambos, vamos seguindo uma verdadeira história da arte, com pintores e escritores do período vitoriano inglês. É verdadeiramente fascinante, e fica claro que a ficção tem muito de não ficção e é sustentado num considerável trabalho de campo. 

Todavia, não posso deixar de dizer que o livro ficou àquem das minhas expectativas pois tornou-se muito repetitivo e algo confuso pela quantidade de personagens. 

Na verdade, fiquei com a sensação que faltou à obra uma edição que eliminasse algumas partes, pois confesso que as repetições eram tantas que me deixavam com a sensação de me ter enganado a marcar onde tinha ficado. Eu não não li isto antes? 

 

Deixo-vos apenas um dos exemplos:

A tranquilidade prometida por J.R. nunca se cumpriu. 

2 páginas à frente:

A promessa que R. lhe fizera, de a deixarem em paz, não se cumpriu.

 

Apesar do que descrevi, nem por um momento me senti demovida a ler a autora. A escrita de Hélia Correia é magnífica, transportando-nos para o período e para o íntimo das personagens.

 

Na estante já aguarda Lillias Fraser. 

05
Jun17

Génesis - Sebastião Salgado

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Desde que vi o documentário "Sal da Terra", tenho procurado os livros de Sebastião Salgado. Nem nos livros de fotografia a minha biblioteca municipal me desilude. 

O facto de só poderem ser consultados na biblioteca não me demove e tenho aproveitado intervalos de almoço para os ler/ver. 

Sebastião Salgado mostra-nos o nosso planeta através de olhos mágicos, capazes de reconhecer a beleza de espécies, padrões, luz ou até na sua ausência. 

Génesis mostra o planeta que ainda não foi tomado pelo Homem moderno, de uma expedição que o levaria de um pólo ao outro, por 30 países. Uma visão magnífica do nosso mundo.

03
Jun17

Lido - A crónica dos bons malandros - Mário Zambujal

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A crónica dos bons malandros, de Mário Zambujal é um daqueles livros, que consta da lista "como é possível ainda não ter lido?". 

Antes de mais, acho que não teria lido da mesma forma a A crónica dos bons malandros, sem a leitura prévia de Os capitães da Areia. Eu tenho uma certa resistência a empatizar com criminosos e como tal, não é muito fácil gostar de uma quadrilha de malandros do Bairro Alto. 

Mas A crónica dos bons malandros é tão despretensiosa e divertida que até nos esquecemos que estamos perante criminosos de carreira e que as personagens femininas são completamente básicas e flat.  

 

Os bons malandros são a quadrilha de Renato, o  Pacífico, chefe incontestado que não permite o uso de armas. Num formato carregado de humor, seguimos o fantástico plano de assalto à Gulbenkian para furtar um conjunto de jóias de Lalique.

 

Capítulo a capítulo, Mário Zambujal apresenta-nos cada uma das personagens que compõem esta quadrilha, num verdadeiro livro de aventuras, que é verdadeiramente único. 

 

E se não acreditam em mim, leiam estas opiniões:

 

Eis um livro ágil. hábil, matreiro, povoado de enleadoras surpresas - uma lufada de despretensão, quer na escrita, quer no recheio. - Fernando Namora

 

Um texto ágil, cadenciado, com respiração própria, no coração de uma Lisboa clandestina e sonhadora. Literatura, esta aventura de escrever? Bem, só espero que o Mário Zambujal se não veja, mais tarde, na necessidade de repetir o mote do velho Saroyan: Se o que escrevo não é literatura, quem perde é a literatura. - Dinis Machado