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Diário de Leituras

"O regresso à cultura. Sim, autenticamente à cultura. Não se pode consumir muito se se fica tranquilamente sentado a ler livros."

Diário de Leituras

"O regresso à cultura. Sim, autenticamente à cultura. Não se pode consumir muito se se fica tranquilamente sentado a ler livros."

07
Mar16

Sensibilidade e bom senso - Jane Austen

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 A releitura do Sensibilidade e bom senso de Jane Austen foi determinada pelo Clube dos Clássicos Vivos. Não me recordo das minhas impressões da primeira leitura, mas tambem não costumo prender-me a elas. descobri há muito que crescemos e a leitura que fazemos dos livros e da vida, crescem connosco.

 

A obra centra-se na vida de duas irmãs, numa Inglaterra do séc.XIX, cujo cenário principal alterna entre o campo bucólico e os salões de festas. Do principio ao fim, não temos muito mais que algumas caricaturas sociais e uma trama centrada na finalidade das mulheres da época - casarem. 

Marianne é a jovem de 16 anos que almeja um amor verdadeiro e ardente; deseja viver intensamente e honestamente prega as suas convicções  - de adolescente - a quem a quer (ou não) ouvir. Elinor é a mais velha e sensata, cujas paixões esconde; muito sofrida e muito elevada em sentimentos. O paralelo no masculino faz-se no safado do Willoughby e no sofrido Coronel Brandon. 

 

Este Sensibilidade e bom senso não tem o brilho de Orgulho e Preconceito. Falta-lhe qualquer coisa que não consigo identificar. Mas não posso deixar de fazer o paralelo entre Elizabeth e Elinor e, entre as duas, a primeira é superior.  

 

Outra coisa que me condicionou a leitura foi o filme. É impossível não estar, constantemente, a comparar as duas versões da obra. 

 

Confesso que continuo a preferir Elizabeth Gaskell, outra inglesa do período vitoriano, mas com uma contemporaneidade muito maior sobre o papel das mulheres e até sobre condições laborais em fábricas. Por falar nisso, impõe-se uma releitura de Norte e Sul.

13
Set15

Clube dos Clássicos Vivos - Moby Dick - 13 de 14

Em Agosto li Moby Dick, juntamente com as/os restantes membros do Clube dos Clássicos Vivos, moderado pela Cláudia Oliveira (A mulher que ama livros).

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Lembram-se? Moby Dick é aquela gigantesca baleia branca que o capitão Ahab persegue nas páginas do romance de Herman Melville. É (dizem os exegetas autorizados da obra) uma encarnação do mal, sobre que se obstina, sur­do a conselhos e razões, o ódio de Ahab. Ao longo de centenas de páginas, ficamos a saber tudo a respeito da caça da baleia no sécu­lo XIX e de como se faz uma obra-prima literá­ria. Moby Dick, agora título de livro, é provavelmente o maior romance de toda a lite­ratura norte-americana. 

(in Moby Dick em Lisboa de José Saramago)

ler aqui

12
Set15

Clube dos Clássicos Vivos - Moby Dick - 12 de 14

Em Agosto li Moby Dick, juntamente com as/os restantes membros do Clube dos Clássicos Vivos, moderado pela Cláudia Oliveira (A mulher que ama livros). 

 

- Presságio? Presságio? O dicionário! Se os deuses pensarem falar directamente para o homem, eles farão honrada e frontalmente. Não abanarão as suas cabeças fazendo insinuações de velhas mulheres. 

(capítulo 133)

11
Set15

Clube dos Clássicos Vivos - Moby Dick - 11 de 14

Em Agosto li Moby Dick, juntamente com as/os restantes membros do Clube dos Clássicos Vivos, moderado pela Cláudia Oliveira (A mulher que ama livros).

 

Ciência! Lanço-te uma praga, a ti, brinquedo inútil. E que sejam amaldiçoadas todas as coisas que lançam os olhos do homem para o alto, para aquele céu cujo activo fulgor apenas o queima, pois estes velhos olhos estão ainda agora queimados com a tua luz. Oh, Sol! Os olhos do homem foram feitos para ficar ao nível do horizonte terrestre, não do alto da sua cabeça, como se Deus tivesse querido que ele contemplasse o seu firmamento. 

(capítulo 118)

 

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10
Set15

Clube dos Clássicos Vivos - Moby Dick - 10 de 14

Em Agosto li Moby Dick, juntamente com as/os restantes membros do Clube dos Clássicos Vivos, moderado pela Cláudia Oliveira (A mulher que ama livros).

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Quem me dera que Deus perpetuasse estas santificadas quietudes! Mas os díspares e entrosados fios da vida são tecidos por urdidura e trama: as calmarias são cruzadas por tempestades e a tempestade por cada calmaria. Não existe nenhum progresso fixo de retrocesso nesta vida; não progredimos por meio de gradações constantes e, na última, paramos: através do período encantado e inconsciente da nossa infância, da irreflectida fé da adolescência, da dúvida da adolescência (o vulgar destino), seguido pelo cepticismo, depois pela descrença restando por último o repouso ponderado e reflectivo do "se" da fase adulta. Depois de passar por todas estas fases, voltamos a percorrer o mesmo caminho e somos crianças, jovens, adultos e "ses" por todo o sempre. 

(capítulo 114)

08
Set15

Clube dos Clássicos Vivos - Moby Dick - 8 de 14

Em Agosto li Moby Dick, juntamente com as/os restantes membros do Clube dos Clássicos Vivos, moderado pela Cláudia Oliveira (A mulher que ama livros).

 

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Uma das coisas que mais surpreendeu em Moby Dick foram as suas enérgicas referências ao carácter predatório do Homem em relação à natureza e animais:

 

testemunhando uma morte por cada baleia caçada, em alguns deles até mais de uma morte, e tendo três daqueles barcos, perdido toda a sua tripulação. Por amor de Deus, sejam económicos com as vossas lanternas e velas! Não gasta um galão de óleo sem que se derrame pelo menos uma gora de sangue humano!

(capítulo 45)

 

Se formos a um mercado de carnes, num sábado à tarde, veremos multidões de bípedes vivos, olhando para longas filas de quadrúpedes mortos. Uma visão destas não fará arrepiar um canibal?

(...)

eu digo que será mais tolerado ao selvagem das Fiji que conservou um mísero missionário em sal, na sua cela, prevendo uma fome próxima, digo, que esse previdente selvagem terá mais tolerância, no dia do julgamento, do que tu, glutão civilizado e esclarecido, que prendes gansos ao solo e te banqueteias com o seu fígado intumescido no teu pâté-de-foie-gras

(capítulo 65)

 

:

E porque não, discutir as quotas de pesca, tema tão actual?

 

o ponto discutível de tudo isto reside na dúvida destes monstros marinhos poderem sobreviver a tamanha perseguição e a uma devastação tão isenta de remorsos; não acabará a baleia por ser definitivamente exterminada das águas, e tal como o último homem, fumará o seu último cachimbo e evaporar-se-á com a última baforada?

(capítulo 105)

 

"Quando a caça da baleia-azul finalmente foi proibida, nos anos 60, 350 mil baleias-azuis haviam sido mortas. A atual população mundial de baleias-azuis é estimada entre três a quatro mil, com duas mil concentradas na costa californiana." Wikipédia

07
Set15

Clube dos Clássicos Vivos - Moby Dick - 7 de 14

Em Agosto li Moby Dick, juntamente com as/os restantes membros do Clube dos Clássicos Vivos, moderado pela Cláudia Oliveira (A mulher que ama livros).

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Mas quando um homem suspeita que algo não está correcto, por vezes sucede que já se encontra envolvido na situação, pelo que luta inconscientemente por esconder as suas suspeitas até de si próprio. 

(capítulo 20)

05
Set15

Clube dos Clássicos Vivos - Moby Dick - 5 de 14

Em Agosto li Moby Dick, juntamente com as/os restantes membros do Clube dos Clássicos Vivos, moderado pela Cláudia Oliveira (A mulher que ama livros).

 

“Call me Ishmael.” ou "Chamem-me Ismael."  

 

Um dos mais famosos começos na literatura. A internet está cheia de listas com as mais memoráveis primeiras frases de grandes obras literárias. Se vos apetecer um pouco de divertimento, há um questionário (em inglês; na verdade há vários) para testar os vossos conhecimentos dessas introduções.

 

Esta simples introdução é ilusoriamente simples. Ele não diz que se chama Ismael. Diz para o tratarem por Ismael. Sobre a interpretação desta pequena frase encontrei um texto fantástico aqui. Ismael é um nome bíblico e apenas a primeira das muitas referências bíblicas que vamos encontrando na leitura da obra. Na bíblia, Ismael é o protegido de Deus, apesar de banido para o deserto; em Moby Dick, é vai navegar pelos mares, num mundo de capitães loucos, baleias e canibais.  

 

Enquanto decidia se lia ou não o livro, foi precisamente a forma como esta personagem se apresentou, que me fez querer conhecê-lo melhor:

Whenever I find myself growing grim about the mouth; whenever it is a damp, drizzly November in my soul; whenever I find myself involuntarily pausing before coffin warehouses, and bringing up the rear of every funeral I meet; and especially whenever my hypos get such an upper hand of me, that it requires a strong moral principle to prevent me from deliberately stepping into the street, and methodically knocking people's hats off—then, I account it high time to get to sea as soon as I can.