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Diário de Leituras

"O regresso à cultura. Sim, autenticamente à cultura. Não se pode consumir muito se se fica tranquilamente sentado a ler livros."

Diário de Leituras

"O regresso à cultura. Sim, autenticamente à cultura. Não se pode consumir muito se se fica tranquilamente sentado a ler livros."

24
Abr17

Final Feliz

Há dias acompanhei uma discussão muito interessante, no Twitter, sobre se os romances (românticos) deveriam ser ou não com final feliz, para serem verdadeiros romances (românticos). 

 

Lamento informar que, as duas facções não chegaram a acordo sobre a matéria.

 

Levou-me a pensar que, verdadeiramente, está-me a faltar ficção divertida ou romântica com um final feliz, na ficção portuguesa. Aceitam-se sugestões.

30
Jan17

Lista de leituras presidenciais

Matt Grant decidiu desafiar-se, lendo uma biografia sobre cada um dos presidentes dos EUA. Uma excelente ideia.

É caso para dizer: há leitores e depois há leitores ;)

Visto aqui.

 

Fiquei curiosa para ouvir o podcast Presidential.

 

Francamente, a história de Portugal é uma temática que gostaria de começar a introduzir nas minhas leituras. 

Estava aqui a pensar que não sei o nome do primeiro presidente da República... será Arriaga? Mas julgo saber que foi ele que comprou o primeiro carro da Presidência e que continuou a pagá-lo depois de ter abandonado o cargo e doado o carro (um documentário algures e foi o pormenor que ficou). 

Visita ao Google, menos mal. É Arriaga.

 

16
Dez16

BOOK RIOT’S 2017 READ HARDER CHALLENGE

 

Aqui, este ano com contributos de autoras como Sarah MacLean, Roxane Gay e Celeste Ng. 

O meu "desafio" para 2017 está traçado desde 2015: autores/as de língua portuguesa (ficção) e liberdade total na não ficção.

 

Porém, sempre que posso, vou seguindo o desafio "read harder" (aceitam-se sugestões para a tradução) porque são sempre uma provocação aos meus hábitos e lugares de conforto e sempre me levaram para interessantes leituras. 

05
Jan16

2016 - Desafio literário - Diversidade de géneros literários

Paralelamente ao meu desafio literário para 2016 que consiste em ler apenas mulheres, vou igualmente tentar diversificar as minhas leituras por diferentes géneros literários. O objectivo é ler pelo menos 1 livro de cada género.

Pontos extra para encontrar autoras portuguesas para cada um.

 

Ficção / Literatura infanto-juvenil & Plano Nacional de Leitura

Ficção/Acção e Aventuras 

Ficção/Mistério & Policial

Ficção/Romance

Ficção/Drama

Ficção/ Ficção Científica & Fantasia

Não ficção / Biografias & Autobiografias

Não ficção / Religião & Espiritualidade

Não ficção / Ciência & História

Novelas gráficas

Antologias

Poesia

24
Dez15

Guarani - José de Alencar

guarani.JPG

 

 

José de Alencar (1829-1877) é um autor de referência da literatura brasileira, do período romântico. Segundo a Claire Scorzi, é um autor lido na escola. 

 

Os críticos referem que a obra de José de Alencar que se divide por três grupos: romance histórico com a temática do indianismo, o romance urbano muito em torno da temática do amor e da situação social e familiar da mulher e o romance regionalista representativo das diferentes regiões que dividiam o Brasil. 

 

Guarani é "o mito do bom selvagem, da pureza do americano em contraste com a dureza e a ambição desenfreada e sem escrúpulos do branco europeu".

 

A história situa-se no interior do Brasil, na segunda metade do séc. XVI. D. António de Mariz é um fidalgo português, movido por um código de honra da cavalaria. Tem uma filha angelical, Cecília, amada/disputada/adorada por três homens, cujos amores irão determinar o destino da história. 

Um desses homens é Peri que adora Cecília, como a personificação da virgem Maria na Terra e que tudo faz para a agradar e proteger. Cecília, uma jovem de 16 anos que não conhece a vida para além do domínio da casa onde vive, trata Peri como um animal de estimação. 

 

O segundo homem, D. Álvaro, ama Cecília e entretém a ideia de casar com esta, ainda por cima com o assentimento de seu pai. É amado por Isabel, prima de Cecília e uma mestiça que se suspeitava ser filha ilegítima de D. António e uma índia.

 

O terceiro, Loredano, um aventureiro que procura um tesouro escondido nas terras brasileiras e planeia matar toda a família, para poder possuir Cecília. 

 

Como se não bastasse este quarteto amoroso, temos ainda o filho de D. António que mata acidentalmente uma índia, o que determina o desejo de vingança de uma tribo violenta que irá invadir a casa senhorial.

 

Confesso que este não foi um dos meus livros preferidos, embora deseje continuar a ler as obras do autor. Embora destaque a superioridade intelectual do índio, este está sempre subjugado aos seus sentimentos por Cecília e esta é pouco mais que uma adolescente reduzida a ser bondosa, mas mimada e pouco consciente dos seus actos.

 

- Mas tu não és escravo!... - respondeu Cecília com um gesto de contrariedade-; tu és um amigo sincero e dedicado. Duas vezes me salvaste a vida; fazes impossíveis para me veres contente e satisfeita; todos os dias te arriscas a morrer por minha causa.

O índio sorriu.

- Que queres que Peri faça de sua vida, senhora?

- Quero que estime sua senhora e lhe obedeça, e aprenda o que ela lhe ensinar, para ser um cavalheiro como meu irmão D. Diogo e o Sr. Álvaro.

 

E num autor romântico não poderia faltar o tratamento da mulher tão característico: a angelical loura e o pecado original que pesa sobre todas as mulheres:

 Cecília era uma menina ingénua e inocente, que nem sequer tinha consciência do seu poder e do encanto de sua casta beleza; mas era filha de Eva, e não podia se eximir de um quase nada de vaidade.

 

Isto é um livro de aventuras. O que me impressionou no livro foi a imaginação do autor para criar situações.

Peri mostra-se sobre humano e genial. O plano dele para, sozinho e sem armas, matar centenas de índios da tribo que tenta tomar de assalto a casa senhorial é absolutamente brilhante e prendeu-me, página após página.

 

É pelo conjunto que desejo voltar a José de Alencar.

 

 

 

Obra em domínio público, disponível em pdf no Portal Domínio Público, do Governo Brasileiro.

19
Dez15

Book Riot - Desafio literário 2016

The 2016 Book Riot Read Harder Challenge

 

ver pdf com a cheklist original aqui

sugestões da biblioteca de Nova York

 

Ler um livro de terror

Ler um livro de não ficção sobre ciência

Ler uma colecção de ensaios

Ler um livro em voz alta para alguém 

Ler um livro juvenil 

Ler uma biografia (excluídas as memórias ou autobiografias)

Ler uma distopia ou uma ficção pós-apocalíptica

Ler um livro originalmente publicado na década em que nasceram (Goodreads)

Ouvir um audiolivro que tenha vencido um Audie Award Read

Ler um livro com mais de 500 páginas

Ler um livro com menos de 100 páginas

Ler um livro por ou sobre uma pessoa que se identifica como transgénero

Ler um livro cuja acção se situe no Médio Oriente

Ler um livro por um autor do Sudeste Asiático

Ler um livro cuja ficção se situe antes de 1900

Ler um primeiro livro de uma série por um/a autor/a de cor

Ler uma banda desenhada sem super heróis que tenha sido publicada pela 1ª vez nos últimos 3 anos

Ler um livro que tenha sido adaptado para o cinema e depois veja o filme. Decida qual é melhor.

Ler um livro de não ficção sobre feminismo ou com a temática do feminismo

Ler um livro sobre religião (ficção ou não ficção)

Ler um livro sobre política, no seu país ou noutro (ficção ou não ficção)

Ler uma memória sobre comida

Ler uma peça de teatro

Ler um livro em que a personagem principal tem uma doença mental

16
Dez15

A Odisseia de Penélope - Margaret Atwood

Quando procurava um livro para o desafio do Read Harder Challenge, "um livro que é uma reinvenção de um clássico (conto de fadas, peça de Shakespeare, etc.)", a Sara sugeriu-me A Odisseia de Penélope de Margaret Atwood.

 

Ainda não li a Odisseia de Homero (cuja história, naturalmente, todos conhecem pela rama), mas tinha lido Ulisses de Maria Alberta Menéres, para acompanhar a minha sobrinha nas suas leituras escolares. Sem isso, falhar-me-iam muitas referências, sem dúvida.

 

Optei por entregar a narrativa a Penélope e às doze escravas enforcadas. As escravas formam o Coro, que canta e declama, concentrando-se nas duas questões que se destacam numa leitura atenta da Odisseia: o motivo do enforcamento das escravas e o real propósito de Penélope. A maneira como a história é contada na Odisseia não convence, há muitas incoerências. Sempre vivi assombrada pelas escravas enforcadas.; em a Odisseia de Penélope, ocorre o mesmo com Penélope.

 

Antes de mais, é Odisseu em grego e Ulisses em latim. 

 

Penélope é prima de Helena de Tróia e esposa inteligente e fiel de Ulisses, por quem espera durante 20 anos, quando este parte para a Guerra de Tróia e enquanto este anda perdido entre deuses e aventuras, nos anos seguintes. É ela que, para evitar ter de casar com um dos pretendentes ao seu reino, cria um artifício, dizendo que escolherá um depois de terminar uma mortalha que tece durante o dia e desfaz durante a noite.

 

Logo na 1ª frase fico agarrada ao livro que se tornou rapidamente um dos meus preferidos:

Agora que morri, sei tudo. Era isso que eu esperava que acontecesse, mas, como muitos dos meus desejos, deixou de se realizar. Sei apenas alguns factos dispersos que antes ignorava. Desnecessário dizer, trata-se de um preço alto demais a pagar pela satisfação da curiosidade. 

Já que estou morta - já que atingi o estado desossado, deslabiado, despeitado -, aprendi coisas que preferia desconhecer, como ocorre quando alguém escuta debaixo da janela ou abre cartas alheias. Você gostaria mesmo de ler a mente? Pense bem.

Aqui todos chegam com um saco igual aos usados para guardar os ventos, mas todos os sacos estão cheios de palavras — palavras que a pessoa disse, palavras que ouviu, palavras que foram ditas a seu respeito. Alguns sacos são muito pequenos; outros, grandes; o meu tem tamanho razoável, mas boa parte das palavras se refere a meu distinto marido. Ele me fez de tola, alguns dizem. Era sua especialidade: fazer os outros de tolos. Ele se safava de todas, outra de suas especialidades: safar-se.

 

A escrita de Margaret Atwood é fluida e acutilante. É realmente um prazer. Com menos de 100 páginas, é um pequeno grande livro, sobre uma outra Odisseia, sobre mulheres e sobre feminismo. 

E o que me restou, quando a versão oficial se consolidou? Ser uma lenda edificante. Um chicote para fustigar outras mulheres.

 

Obrigada Sara, a minha vida literária seria mais pobre sem este livro. 

07
Dez15

Livro recomendado

Um dia pedi que me recomendassem um livro. Sem regras... um livro. 

 

A lista de recomendações:

 

Andreia P. / Nem eu me explico, nem tu me entendes, Xavier Guix

Filipa N. / (lido) A metamorfose, Kafka

Júlia M. / A centelha da vida, Erich Maria Remarque

Samuel M. / Gárgula, Andrew Davidson

Carina P. / A filha da floresta, Juliet Marillien

Descontos e trocos / O vale dos cavalos, Jean M. Auel

AMestre MA / A filha do capitão, José Rodrigues dos Santos

Diana G. / Segue o coração, não olhes para trás, Lesley Pearse

Mónica C. / Sultana, a vida de uma princesa árabe, Jean P. Sasson

Cristina S. / saga Adaga Negra, J.R. Ward

Cláudia R. / Jesus Cristo bebia cerveja, Afonso Cruz

Alexandra G. / O alquimista, Paulo Coelho

 

Fiz um pequeno sorteio: 

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Sai-me na rifa a recomendação da Andreia. Um livro esgotado em todo o lado e que só encontrei numa biblioteca que, no dia que visitei, não era possível levantar livros porque o sistema estava "em baixo". 

Lá voltarei. 

Entretanto andei a passear pelos restantes títulos que me surpreenderam bastante. Só tinha lido um deles e a maioria nem conhecia o autor. Uma lista perfeita para um desafio literário que tem por objectivo que sejamos capazes de sair da nossa zona d conforto.

Já imprimi a lista e passam a leituras futuras. 

 

A todas/os o meu obrigada.

16
Nov15

The Book Riot 2015 Read Harder Challenge

O desafio literário que adoptei para o ano de 2015. 

 

Realizado: 23/23

 

  1. Um livro escrito por alguém que o fez com menos de 25 anos 
    Mary Shelley - Frankenstein
    Rachel Queiroz - O quinze

  2. Um livro escrito por alguém que o fez com idade superior a 65
    Cadernos de Lanzarote I, José Saramago

  3. Uma colectânea de contos (seja por um/a ou mais autores/as)
    diversas

  4. Um livro publicado por uma editora independente
    Diabolíada ou como gémeos causaram a morte dum chefe de repartição. de Mikhail Bulgakov, Ed. &ETC

  5. Um livro por ou sobre alguém que se identifica como LGBT
    Cidade proibida - Eduarto Pitta

  6. Um livro escrito por uma pessoa cujo sexo é diferente do seu próprio
    Vários

  7. Um livro que tem lugar na Ásia
    O amante - Marguerite Duras 


  8. Um livro de um/a autor/a africano/a
    Todos devemos ser feministas - Chimamanda Ngozi Adichie (nigeriana)

  9. Um livro que é de ou sobre alguém de uma cultura indígena
    O guarany de José Alencar

  10. Uma micro-história
    A vida imortal de Henrietta Lacks - Rebecca Skloot 

  11. Um romance YA (Young-Novel)
    A rapariga que roubava livros - Markus Zusak

  12. Um romance de ficção científica
    Mary Shelley - Frankenstein

  13. Um romance que tenha vencido, na última década, um National Book Award, Man Booker ou Pulitzer
    Woolf Hall - Hilary Mantel

  14. Um livro que é uma reinvenção de um clássico (conto de fadas, peça de Shakespeare, etc.)
    A odisseia de Penélope de Margueret Atwood (Odisseia)*


  15. Um audiolivro
    Mistakes were made, but not by me - Carol Tavris, Elliot Aronson
    Go Set a Watchman - Harper Lee

  16. Uma colectânea de poesia
    Os poemas da minha vida, Miguel Vieira

  17. Um livro que alguém lhe tenha recomendado
    Nem eu me explico, nem tu me entendes, Xavier Guix


  18. Um livro que foi publicado originalmente noutro idioma
    Vários

  19. Uma novela gráfica 
    Blankets - Craig Thompson
    Persepolis - Marjane Satrapi

  20. Um livro que consideraria um prazer culpado
    Bared to you - Sylvia Day
    The Wild One - Danelle Harmon

  21. Um livro publicado antes de 1850
    Viagens na minha terra (1846) - Almeida Garrett
    Nossa senhora de Paris (1831) - Victor Hugo

  22. Um livro publicado este ano
    A vida secreta dos intestinos - Giulia Enders
    A história secreta - Donna Tartt

  23. Um livro de auto-ajuda (pode ser tradicional ou não tradicionalmente considerada "auto-ajuda")
    Hapiness Project - Gretchen Rubin
    O efeito checklist, Atul Gawande

Republicado com actualizações

 

*Fui salva pelas sugestões da Júlia e da Sara

 

25
Set15

Preciso de ajuda!

Estou a tentar diversificar a minha leitura participando no desafio The Book Riot 2015 Read Harder Challenge. Uma das tarefas é ler sobre ou por um autor indígena

 

Ao ver o vídeo publicado recentemente, apercebi-me que me estava a esquecer do que é frequentemente esquecido em Portugal: a realidade histórica do que foram os descobrimentos para os indígenas dos países ocupados/pilhados. 

 

Por isso, procuro um bom livro sobre o tratamento de africanos ou indígenas brasileiros, por portugueses. Poderá ou não ser sobre a escravatura, de ficção ou não ficção. Porém, se de ficção, bem sustentado em factos históricos, bem contextualizado.

 

Têm recomendações?