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Diário de Leituras

"O regresso à cultura. Sim, autenticamente à cultura. Não se pode consumir muito se se fica tranquilamente sentado a ler livros."

Diário de Leituras

"O regresso à cultura. Sim, autenticamente à cultura. Não se pode consumir muito se se fica tranquilamente sentado a ler livros."

25
Abr17

Maus - Art Spiegelman

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Maus ("rato", em alemão) é a história de Vladek Spiegelman, judeu polaco sobrevivente de Auschwitz, narrada por si próprio ao filho, o cartoonista Art Spiegelman. 

Mas não é só uma história do Holocausto. É uma história de sobre relações (especialmente entre pai e filho), sobre o que caracteriza a humanidade e os riscos de desumanizar grupos de pessoas.

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Maus foi originalmente publicado numa revista e em partes. A edição a que tive acesso já unia os dois livros: "A história de um sobrevivente" e "E aqui começaram os meus problemas".  

 

Com as primeiras páginas lidas, tive a necessidade de ir em busca do nome que assina a tradução. É que parecia estar cheio de erros. Não. Uma nota explicava a intencionalidade de traduzir como exigiu o autor, que replicou a forma como fala o seu pai, um polaco imigrante e idoso a falar num inglês sem correcção gramatical ou sintáctica.

 

Não consigo encontrar as palavras que traduzam a importância deste livro, a importância de manter vivas as memórias do Holocausto, de cimentar nas nossas vidas o que acontece quando se alimentam sentimentos extremistas, em vez da diversidade e compaixão humana. 

 

Por isso, não deixem de renovar o vosso compromisso com a democracia e a liberdade, juntando-se às comemorações deste dia. "25 de Abril" não é uma opção por um regime político, é a luta (que deve ser diária) por uma vida em liberdade.

24
Abr17

Eu só ia entregar dois livros....

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... mas já tinha chegado o Maus, e estava disponível o A história das coisas (eu sugeri a compra de ambos). O que pode uma pessoa fazer?

 

A história de uma serva estava nos destaques. Gosto de acreditar que há ali uma mãozinha de activismo literário. 

 

A ficção tem de sair da minha estante, que continua a abarrotar de livros não lidos.

23
Abr17

No Dia Mundial do Livro comecei a vender a minha biblioteca

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A ideia tem-se vindo a desenvolver nos últimos tempos.

 

O número de livros não lidos não tem diminuído, até porque as trocas que trazem novos inquilinos e as bibliotecas municipais estão sempre a tentar-me.

 

O sonho de deixar uma biblioteca para as minhas sobrinhas, tem tanto de utopia altruísta como um acto egoísta. Querer ter uma biblioteca em casa com mais de 400 livros, é irrealista, para uma casa como a minha (que sequer é minha).

 

Parece-me irreal, estar a ser tão displicente com a minha biblioteca. Os livros são a melhor parte do meu dia. Mas a verdade é que não sinto necessidade de os ter em casa.

 

Por isso, decidi começar a vender a biblioteca pessoal (não se preocupem, não verão aqui anúncios de venda). Não tenho pressa e não é algo de absoluto.

 

Pretendo doar alguns livros não lidos, que a minha biblioteca municipal não tenha. Assim, sei onde estarão quando os quiser ler.

 

No fundo, culpo a minha biblioteca municipal, onde tenho encontrado tudo o que desejo para ser uma leitora feliz. 

21
Abr17

A colecção privada de Acácio Nobre - Patrícia Portela

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Estava pousado numa mesa de destaques da biblioteca. Li a contracapa:

Fui recolhendo, ao longo de 16 anos, cartas, diários, testemunhos, maquetas de jogos e armadilhas de Acácio Nobre (1869?-1974), um construtor de puzzles geométricos visionário no século XIX que uma ditadura silenciou no século XX e (quase) eliminou de uma História que ainda assim influenciou, de forma subtil e anónima, introduzindo uma marca indelével e inevitável nos séculos vindouros, como o nosso.

Cismei com o nome desta autora que nunca li.

Lembrei-me, que era a que tinha escrito uma crónica no Jornal de Letras, sobre uma orca, que me impressionou. Na altura (vi mais tarde) anotei uma descrição de Miguel Real e fiz um post para memórias futura: "A mais desconcertante das novas escritoras portuguesas".

 

Não sabia o que me esperava. Pensei que fosse um ensaio biográfico ou livro de memórias. A melhor descrição que encontro para ele é a que foi feita para um outro, da mesma autora: "objecto-literário-não-identificável" (Raquel Ribeiro, Ípsilon Público).

 

Todo o livro é um catálogo anotado do espólio de Acácio Nobre, uma interessante personagem (fiquei muito desiludida por descobrir esse facto, diga-se de passagem) nascida em 1869, que se vai cruzando com Fernando Pessoa, Melville e outras do mesmo calibre.

 

Um vanguardista, fazia inventava jogos e escrevia inúmeros ofícios a responsáveis do país, defendendo a implementação dos Kindergarten (os percursores dos actuais infantários), criado pelo pedagogo Friedrich Fröbel; era também alguém que fugia da PIDE e tinha um clube no seu nome - C.A.A.N. - Clube dos Amigos de Acácio Nobre.

 

E, aparentemente, também tinha amigas:

Ao que parece, Nobre traz sempre uma corrente de relógio no seu bolso, não com um relógio mas com uma jóia que "faz", e estou mais uma vez a citar, "as delícias mais íntimas das mulheres"

Além de vanguardista, era deliciosamente anti-corrente:

Acácio Nobre sempre escreveu "como cheria e lhe apetecia" (...) sobretudo para fintar qualquer purista ou simplificador "ser litherário que ouzasse domar uma lengua tão selvagem"

 

Acreditem que vão querer conhecer esta surpreendente personagem e o incrível universo de Patrícia Portela.

 

 

A leitura de Patrícia Portela veio validar a minha resolução de afunilar as minhas escolhas literárias por períodos de tempo determinados. Isso tem levado a que leia de forma mais intencional, explore novas/os autoras/es e me continue a surpreender com as descobertas.

20
Abr17

Apagão digital

Ontem estava tão irritada que desliguei o computador às 19h30 (mais coisa menos coisa). Terminei dois livros e li um terceiro. 

Ler mais é uma questão de escolhas.

É verdade que só me deitei no dia seguinte, mas... 

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19
Abr17

LIVROS BRANCOS, ALMAS NEGRAS - Miguel Bandeira Jerónimo

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 #escravatura

 

Este estudo tem como objecto central a análise histórica da proclamada «missão civilizadora» do colonialismo português entre 1870 e 1930, período marcante da história colonial nacional e internacional. Os seus fundamentos, os seus princípios e justificações, assim como as suas reais concretizações, são avaliados na sua relação com o aspecto fundamental do colonialismo português de finais de Oitocentos e de princípios de Novecentos: a questão do trabalho indígena.

17
Abr17

Killers of the Flower Moon - David Grann

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In his new book, Killers of the Flower Moon, David Grann describes how white people in the area conspired to kill Osage members in order steal their oil wealth, which could only be passed on through inheritance. "This was a culture of complicity," he says, "and it was allowed to go on for so long because so many people were part of the plot. You had lawmen, you had prosecutors, you had the reporters who wouldn't cover it, you had oilmen who wouldn't speak out, you had morticians who would cover up the murders when they buried the body, you had doctors who helped give poison to people." 

 

Inspiração