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Diário de Leituras

"O regresso à cultura. Sim, autenticamente à cultura. Não se pode consumir muito se se fica tranquilamente sentado a ler livros."

Diário de Leituras

"O regresso à cultura. Sim, autenticamente à cultura. Não se pode consumir muito se se fica tranquilamente sentado a ler livros."

11
Mar17

Março feminino - Teresa Veiga e Carolina Nabuco

No dia 9 terminei História da Bela Fria de Teresa Veiga. No dia 10 comecei e terminei A sucessora de Carolina Nabuco

Março está a prometer ser um mês fantástico, no que respeita a novas autoras e ambas fantásticas!

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Ouvi falar, pela primeira vez, de Teresa Veiga há menos de 1 ano (Teresa Veiga "a nossa Elena Ferrante").

 

O História da Bela Fria é um pequeno livro de contos, mas só em número de páginas porque em qualidade é magnífico. Todos os contos têm como figura central e narração uma mulher. Não são mulheres perfeitas, nem coerentes, mas são verdadeiras, irónicas, sarcásticas e, de uma forma ou outra, extraordinárias. As histórias amorosas, não são nada felizes, mas são honestas. Brutalmente honestas. 

 

E agora estou mortinha para ler Gente Melancolicamente Louca.

 

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O fluxo é este: antes de saber que Hitchcok era um misógino de primeira, apaixonei-me por Rebecca, um filme que revejo com frequência. Ora, estava claro que teria de ler o livro que deu origem ao filme: Rebecca, de Daphne du Maurier. Finalmente, teria de ler A Sucessora de Carolina Nabuco, que teria sido plagiado pela primeira, ou sido a sua inspiração, conforme a pessoa que estejam a ler.

 

Não vou entrar na polémica. Ambos são muito bons e merecem ser lidos. 

 

Li A Sucessora de uma assentada, após o jantar... foi até à 1h00, mas quando se entro naquele "só-mais-um-capítulo", mais vale terminar.

 

A Sucessora de Carolina Nabuco é um romance psicológico com uma história familiar: homem milionário e mais velho casa com jovem virginal. Naturalmente, espera que a sua virgem do campo se adapte à vida cosmopolita (dele) e cumpra as suas funções de mulher troféu. De uma forma egoísta, ele ama-a, mas deve ser um amor muito levezinho, o mesmo que tinha pela primeira esposa e que o levou a casar poucos meses depois da sua morte. 

Não estou a fazer um bom trabalho a vender o livro, pois não? 

Vamos tentar a Marina, a jovem que viveu toda a vida (curta) na fazenda colonial, com ex-escravos servis, a educar-se com livros "lidos por especial permissão, e vedados às outras meninas, por serem "fortes"". Na verdade, Marina era uma leitora exigente e pragmática:

Quando lhe davam literatura para meninas, passava os livros à jovem prima Adélia, que vinha a Santa Rosa nas férias. Instintivamente, Marina não inscrevia neles o seu nome. Descobria sempre o desvalor literário, apesar dos elogios da prima. Mais tarde, descobria-o por causa deles.

 

Melhor? 

O problema é que apesar de todo o potencial, nem os livros, nem a vida protegida da fazenda a preparariam para viver à sombra de uma primeira mulher perfeita (Alice), e perfeita em tudo que ela não era.

Marina começa a fantasiar que Alice comunica com ela através de um quadro desta, que o seu amoroso marido fez questão de manter exposto. E nós sabemos perfeitamente que quando começamos a achar que objectos inanimados estão a falar connosco, isso não é um bom sinal.

 

Piadas à parte, é também uma obra sobre o Brasil, entre o passado e o futuro, entre a "glória colonialista" das grandes fazendas com escravos e uma economia emergente.

 

O livro é tão bom, que até é pena que só tenha conhecido esta autora por causa de Rebecca

 

A ler:

Chama e Cinzas

O Ladrão de Guarda-Chuva e Dez Outras Histórias

 

#leiamulheres

#marcofeminino

06
Mar17

Vaicomdeus, SARL - Júlio de Almeida

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É impressão minha ou estão a multiplicar-se títulos com menções directas ou indirectas a religião? Ou é a minha inclinação natural de ateia, que acaba por determinar estas escolhas?

 

A obra, do jornalista angolano Júlio de Almeida, "percorre o tempo da guerra civil pós-colonial que devastou o país e termina antes de 2002", "descrevendo as múltiplas peripécias dos angolanos nesses momentos de guerra e carências de toda a ordem. Aparecem os esquemas para resolverem os problemas do dia a dia, as habilidades para fintarem o sistema e a sua burocracia, o amiguismo, a incompetência de uns tantos e a corrupção que vai crescendo".

Fonte: Pepetela in Jornal de Letras nº 1210

05
Mar17

Livro Sagrado da Factologia

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Este romance responde à mais crucial questão do século XXI. A saber: o futuro vai ser bem ou mal passado?

«Você está curioso. Não está feliz, está até um bocadinho zangado, ainda lhe doem os pulsos das algemas, mas está curioso. Continua a achar que somos uma cambada de malucos, mas agora está intrigado. Que tipo de malucos seremos, afinal? O que nos move? Dinheiro? Poder? Deus? Um outro qualquer deus? Está curioso. E é a sua fraqueza, estar curioso.»

 

1º Nunca li Rui Zink e isso não é intencional.

2º Desconhecia que existe uma chancela da Afrontamento chamada Teodolito.

3º Gostei muito mais do resumo da obra que o próprio Zink escreveu para o Jornal de Letras:

O Livro Sagrado da Factologia relata o nascimento de uma nova religião ou, pelo menos, a tentativa por uma seita tão patusca quão sinistra para a dar à luz - ou às trevas.

05
Mar17

Manifesto feminista - 1715

Sara é fantástica. Corrigiu o meu post anterior dizendo:

 

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E agora estou em pulgas para conseguir arranjar um exemplar. E já tropecei em outras potenciais leituras:

 

Vanda Anastácio

Uma Antologia Improvável? A escrita das mulheres (1495-1830), com a colaboração Inês de Ornellas e Castro, José Félix Duque, de Pedro Sena Lino, Isabel Morujão e Hugo Neto, Lisboa, Relógio de Água, 2013

Fina d'Armada

Heroínas Portuguesas. Mulheres que Enganaram o Poder e a História, Lisboa, Ésquilo, 2012

Mulheres Navegantes, Evoula Edições

O Segredo da Rainha Velha, Estampa

Betina dos Santos Ruiz

A Retórica da Mulher em Polémicas de Folhetos de Cordel do século XVIII. Os discursos apologéticos de Paula da Graça, Gertrudes Margarida de Jesus, L.D.P.G e outros nomes (quase anónimos) - Dissertação de mestrado

António Salvado

Antologia da Poesia Feminina Portuguesa, Edições Jornal do Fundão

 

O livro Heroínas Portuguesas, está à venda por €3.00 e já está no cesto de compras.