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Diário de Leituras

"O regresso à cultura. Sim, autenticamente à cultura. Não se pode consumir muito se se fica tranquilamente sentado a ler livros."

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21
Jul17

Traduções à parte

A história é deliciosa. Um verdadeiro conto de fadas, em que uma tradutora auto-didacta se revelava, ao traduzir uma das obras do ano - The Vegetarian, de Han Kang, que viria a receber o Man Booker Prize.

 

 Aparentemente, não só era auto-didacta como tinha começado a aprender coreano há apenas 6 anos. 

 

Agora, parece que o destaque que a obra teve, levou a que muitos coreanos, ao ler a obra, questionassem a tradução. A controvérsia emergiu quando uma análise mais cuidada, terá demonstrado que a tradução tinha graves problemas.  

 

De acordo com um artigo científico, apresentado numa conferência na Ewha Womans University, 10,9% da primeira parte do romance estava traduzida incorrectamente (de erros pequenos a muito grandes) e 5,7% do texto original foi omitido. E como refere a notícia, isso apenas na primeira parte.

 

Mas o que é apontado como sendo mais grave são os aditamentos que a tradução teria feito, a cerca de 30% do texto original (ainda estamos na primeira parte).

 

Não consigo enfatizar o quanto o estilo de escrita de Han Kang é diferente em coreano. As frases de Han são esparsas e silenciosas, às vezes terminam em fragmentos. Em contraste, Smith usa um estilo alto e formal com floreados líricos. Como observou um crítico, a tradução tem um "tom do século dezanove", que lembra Chekhov. 

Isso altera mesmo como as personagens são retratadas. Smith faz o marido de Yeong-Hye parecer arrogante, sofisticado e pedante. Na verdade, ele é um tipo básico, tosco, inconsciente de seu próprio sexismo ou seus preconceitos. Meus alunos sentiram que o personagem era totalmente deturpado.

[A tradução é minha] 

 

Será caso para questionar quem ganhou o Booker?

 

 

 

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