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Diário de Leituras

"O regresso à cultura. Sim, autenticamente à cultura. Não se pode consumir muito se se fica tranquilamente sentado a ler livros."

"O regresso à cultura. Sim, autenticamente à cultura. Não se pode consumir muito se se fica tranquilamente sentado a ler livros."

Diário de Leituras

30
Jun16

Pássaros da América, Lorrie Moore

Este tabu em relação à idade tem por objectivo fazer-nos crer que a vida é longa e que, de facto, nos vamos aperfeiçoando, que um dia mais tarde seremos mais sábios, melhores e com mais conhecimentos do que na juventude. É um mito confeccionado para evitar que os mais novos descubram o que realmente somos, para que não nos desprezem e matem. Mantemo-los inocentes, desaparelhados, sugerindo-lhes que, adiante, há algo mais do que arependimentos e decrepitude.

Bela Nota in Pássaros da América, Lorrie Moore

 

 

Lorrie Moore merece ser lida e passa automaticamente a uma autora da qual desejo ler tudo. Acutilante e com um lado sombrio absolutamente hilariante, entrou na minha lista de preferidas.

 

Pássaros da América de Lorrie Moore é um livro com 12 contos que teve bastante sucesso nos EUA. Aliás, foi por ouvir falar dele com frequência em podcasts que passei a conhecer a autora.

 

No conto Vontade temos uma actriz medíocre que se muda para o interior e inicia um relacionamento com um mecânico que nunca chega, verdadeiramente, a estar à altura da ocasião.

 

No conto E o mesmo já não posso eu dizer de muita gente, Abby decide viajar para a Irlanda e leva consigo uma mãe muito opiniosa.

 

Em Se queres, tudo bem, um casal (um alcoolico e um cego) viajam pelo país, visitando locais históricos, mais especificamente, a "rota da cova"

 

Em imobilário, temos a Ruth que sobreviveu (?) a um cancro e procura uma nova vida numa nova casa.

 

Em Só cá está gente assim: palrar canónico em ped onc, temos dois pais a viver um pesadelo: a descoberta de um tumor, o que é "viver" numa pediatria oncológica. Pungente e incrivelmente realista, foi o meu preferido.

 

Poderia continuar, mas o melhor é lerem. 

26
Jun16

Harry Potter e o cálice de fogo

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Estou a ADORAR a saga do Harry Potter. Devorei as 590 páginas deste livro em dois dias. Começo a perceber a atracção que estes livros têm para adultos. É que na verdade (e como já me haviam alertado), eles não têm nada de infantis. 

No fundo, são policiais num contexto de fantasia. E são bons policiais. 

 

E fico a pensar no sucesso destes livros vs. os livros que costumam aparecer para estas faixas de idade, claramente mais fofinhos. Pergunto-me se os fofinhos não são mais para os pais que para os filhos, para sentirem que ainda têm crianças inocentes em casa. Estaremos a infantilizar as nossas crianças?

 

O Harry Potter, a partir do segundo livro, é bastante sombrio. É tudo menos inocente. Por exemplo, em Harry Potter e o cálice de fogo uma das personagens principais morre. E não há nesta morte nada de heróico, simbólico ou justo. Morre porque estava no lugar errado na hora errada e o que deixa é a inexprimível dor de perder um filho.

 

Estou bastante motivada para continuar com HP e a Ordem de Fénix.  

Tenho mantido a minha estratégia de alternar a leitura dos livros com a versão cinematográfica e sinto que, cada vez mais, os filmes ficam aquém da história. E destaco que a adaptação do Cálice de fogo já tem 2h40 de duração. 

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