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Diário de Leituras

"O regresso à cultura. Sim, autenticamente à cultura. Não se pode consumir muito se se fica tranquilamente sentado a ler livros."

"O regresso à cultura. Sim, autenticamente à cultura. Não se pode consumir muito se se fica tranquilamente sentado a ler livros."

Diário de Leituras

30
Out17

Irritações literárias - José Rodrigues dos Santos

Primeiro foi o editor que era demasiado bom para ter determinados livros na sua editora. Dá o nome de José Rodrigues dos Santos como exemplo. 

 

Depois é foi a matilha do costume, nas redes sociais, a propósito da publicidade da editora que o referia como o escritor preferido dos portugueses, ou qualquer coisa do género. 

 

Eu nunca li o autor, mas também posso dizer o mesmo de James Joyce. Não foi uma opção de vida, é simplesmente falta de tempo para ler tudo.

 

Não sou particularmente fã da pessoa, confesso, mas começa a irritar que ele seja saco de porrada para tudo que é snob literário. Não querem ler, não leiam. 

 

Como diria alguém (muito sensata/o): se as pessoas metessem o nariz entre as páginas de um livro (qualquer um!!!), em vez da vida dos outros, este mundo seria muito melhor. 

29
Out17

Diário de leituras: os meus destaques de um Outubro chato

Ouvi:

Chapter 9 of THINKING FAST & SLOW

A leitura acompanhada de Pensar Depressa e Devagar, pela equipa Bookriot, é fantástica. Este episódio é tão bom que deveria gravá-lo para ouvi-lo todas as semanas, como forma de treinar o cérebro a não cair em facilitismos. 

 

Guardado para ouvir:

Podcast: Episódio #12 Temporada 2: A Anita e o Admirável Mundo Novo

 

Li por aí:

 

1. Quero ler isto, depois de ler isto. Aliás, suspeito que vou ler toda a ficção de Carmen Maria Machado.

Também isto.

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Guardado para ler:

 

1. What Are We Doing Here? - Marilynne Robinson (The New York Review of Books)

 

2. A Fire-Devastated Northern California Takes Care of Its Own - Rebecca Solnit (The New Yorker)

 

3. SUMMER AFTER THE WAR - Kazuo Ishiguro (Granta)

 

4. THE GOURMET - Kazuo Ishiguro (Granta)

 

5. TONI MORRISON IN CONVERSATION - Various Contributors

 

6. Rupi Kaur Is Kicking Down the Doors of Publishing (New York Times)

 

7. “Once your children know that even one person detests their bones and breath, they know.” - Taylor Harris

 

8. WHY A CLASSIC PORTUGUESE NOVEL SHOULD BE ON YOUR TO-READ LIST - Sarah Ládípọ̀ Manyika

 

 

Ficou-me na retina:

 

1. Há um novo documentário sobre Joan Didion (Netflix) e os conteúdos sobre a autora multiplicam-se.

 

2. Há bibliotecários portugueses com canais You Tube? Puro divertimento

 

Este vídeo é a melhor coisa que vi todo este mês. 

29
Out17

A vida numa colher - Miguel Rocha

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Outubro está a ser um horrível mês de leituras. Cansaço, má gestão do meu tempo livre, falta de motivação. Como resultado, o único livro que terminei foi uma novela gráfica de um autor português, e alguns capítulos do Pensar Depressa e Devagar (que, alías, já deveria ter sido entregue na biblioteca).

 

A vida numa colher, de Miguel Rocha, foi um acaso, não conhecia o livro ou o autor, mas era o que procurava: novela gráfica de autores lusófonos. Descobriria depois que no Festival de BD da Amadora de 2004, venceu os prémios de Melhor Livro e Melhor Desenho. Não me surpreende de todo.

 

O que me surpreendeu foi o pano de fundo: Alentejo. Sim, leram bem, uma novela gráfica cuja história se centra num Alentejo pós-salazarista, que na sua agrura e no seu contexto social é, também, uma personagem. 

 

Olegário volta à aldeia para recuperar as terras do pai, de imediato se depara com oposição dos que ocuparam a terra, que havia ficado ao abandono. Depois, contra a agrura da mesma, sem que consiga fazer crescer nada, consegue (a custo) começar a plantar beterrabas.

 

Mas o que Olegário quer é um filho varão, enquanto vão nascendo as filhas, que condena a um isolamento que as torna "selvagens".

É aqui que tive alguns problemas como o livro. É que a forma de identificar este estado selvagem, foi através do identitário africano. E às tantas fiquei com a sensação de que estava perante um racismo latente, embora não tenha percebido se do autor ou da personagem. Será que estava a ver as filhas "selvagens" pelo prisma de um homem que vinha da guerra colonial?

 

Apesar desse questionamento, fiquei rendida ao desenho. 

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