Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

Diário de Leituras

"O regresso à cultura. Sim, autenticamente à cultura. Não se pode consumir muito se se fica tranquilamente sentado a ler livros."

"O regresso à cultura. Sim, autenticamente à cultura. Não se pode consumir muito se se fica tranquilamente sentado a ler livros."

Diário de Leituras

28
Fev18

O Conde de Monte Cristo - entre a realidade e a ficção #2

Entrada no Wikipédia:

Pierre Picaud foi um sapateiro do século XIX, de Nimes, que pode ter sido a base do personagem de Edmond Dantès do romance O conde de Monte Cristo, de Alexandre Dumas, pai. 

Em 1807, Picaud  esta noivo de uma mulher rica, mas três amigos ciumentos - Loupian, Solari e Chaubart - falsamente o acusaram de ser um espião para a Inglaterra (um quarto amigo, Allut, sabia de sua conspiração, mas não relatou isso). Ele foi preso na fortaleza de Fenestrelle por sete anos, sem saber porquê, até o segundo ano lá.

Durante sua prisão, ele fez uma pequena passagem para uma cela vizinha e fez amizade com um rico sacerdote italiano chamado Padre Torri, que estava preso lá.

Um ano depois, um Torri moribundo legou a Picaud um tesouro que ele havia escondido em Milão.

Quando Picaud foi libertado, após a queda do governo imperial em 1814, ele tomou posse do tesouro, retornou sob outro nome a Paris e passou 10 anos vingando-se dos seus ex-amigos.

Picaud primeiro assassinou ou mandou matar Chaubart.  

A ex-noiva de Picaud, dois anos depois do seu desaparecimento, casou com seu ex amigo Loupian, que foi sujeito à sua mais brutal vingança.

 Picaud enganou a filha de Loupian a se casar com um criminoso, a quem ele então fez com que fosse preso. A filha de Loupian morreu prontamente de choque. 

Picaud então queimou (ou mandou queimar) o restaurante do Loupian, deixando Loupian  empobrecido.

Em seguida, ele envenenou Solari até a morte e manipulou o filho de Loupian no roubo de jóias de ouro (ou o levou a cometer o crime). O rapaz foi enviado para a prisão, e Picaud esfaqueou o Loupian até a morte. 

Ele também sequestrou Allut e mortou-o.

 

A confissão do leito de morte de Allut constitui a maior parte dos registros policiais franceses do caso. A descrição detalhada das experiências de Picaud na prisão, que não poderia ter sido conhecida por Allut, foi supostamente ditada pelo fantasma do padre Torri. 

 

Nunca mais pensarei no O conde de Monte Cristo, como um relato inverosímel de uma vingança. Na verdade, acho que a proximidade entre a realidade e a ficção o coloca entre as obras "baseadas em factos reais", muito ao jeito do "true crime", tão em voga.

 

 

A história foi inicialmente publicada no Le Diamant et la Vengeance in Mémoires tirés des Archives de la Police de Paris (1838), de Jacques Peuchet. 

28
Fev18

As grandes leituras de Fevereiro: Empathy Exams e O Conde de Monte Cristo

Não precisei de muito tempo para devorar aquele livro cuja história julgava conhecer. Se os filmes são preto e branco, a obra de Alexandre Dumas é um arco-íris de personagens, contexto histórico, retrato social e perfil psicológico. Entre uma história de vingança, Alexandre Dumas vai fazer-nos navegar entre a justiça e os danos colaterais desta.

Ao contrário daquele que o inspirou, Dantès não se limitou a matar quem o traiu, levou-os, à auto-destruição. Um a um, foram cavando a própria sepultura, pese embora algumas oportunidades de redenção que vão tendo.  

É uma obra magnífica.

 

Se o primeiro foi devorado, este necessitou de tempo para a digestão. 

É um livro de ensaios brutais sobre as camadas da dor e empatia, desde o mais pessoal (como um aborto, a auto.mutilação ou a anorexia) a algo tão supreendente como ultramaratonas e sobre ultramaratonistas que acabam presos por questões fiscais. Tudo, metáforas para a dor e como a sentimos.

Mas é também sobre o que é ser mulher e como a sociedade nos permite ser mulheres, ou então como nos tentamos encaixar ou fugir dos estereótipos de sentimentalismo. 

 

Já não me recordava de sublinhar tanto um livro. Sei que o irei reler, assim como expandir as leituras paralelas que fui fazendo, porque é um livro que abre portas de entendimento. 

 

Nunca mais deixei de pensar na anorexia como "a inner life... as a sculpture in bone" ou na auto-mutilação como "an attempt to speak and an attempt to learn".

 

Estes vislumbres sobre a dor alheia, fizeram-me compreender muito melhor algumas realidades. E não será isso a empatia?

Pág. 1/6