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Diário de Leituras

"O regresso à cultura. Sim, autenticamente à cultura. Não se pode consumir muito se se fica tranquilamente sentado a ler livros."

"O regresso à cultura. Sim, autenticamente à cultura. Não se pode consumir muito se se fica tranquilamente sentado a ler livros."

Diário de Leituras

29
Abr18

Em Abril, contos mil

Recentemente tropecei numa tag: #abrilcontosmil.

Mas já não me recordo onde. Ficou o nome e a inspiração. Uma pequena investigação, levou-me ao canal da Mafalda, que terá sido criadora da tag.

 

Em Março e Abril, voltei a pegar nas minhas revistas de contos, até porque são mais portáteis e eu tenho passado bastantes horas em esperas. 

 

Ainda vão a tempo para se associarem à tag, dando destaque a uma forma literária muitas vezes esquecida.

 

TEOREMA, Herberto Helder é o meu conto preferido, mas tenho aqui uma série de links com outras sugestões.

 

 

 

29
Abr18

Desafios literários

Até às 13 horas de hoje (locais), as redes sociais celebram o 24-Hour Readathon, um desafio que consiste em dedicar 24 horas à leitura.

 

Pessoalmente, gosto mais do plano de ler 24 horas, num período de 48 horas. Ou seja, dedicar um fim-de-semana à leitura, incluindo o planeamento prévio de refeições e snacks.

 

Pode soar a ler a metro, mas para mim, é alocar tempo de lazer. Tempo para mim.

Adoraria poder tirar dois dias para estar deitada no sofá a ler. Interromper apenas para uma sesta (além das noites de sono, claro), não ter de fazer limpezas ou preocupar-me a adiantar trabalho. Não iria cozinhar porque já teria refeições pré-cozinhas (descongelar e aquecer). Teria sacos de frutos secos e até uns docinhos para petiscar. 

 

Não sei quanto a vós, mas a mim soa-me a uma excelente ideia.

26
Abr18

Os bichos papão da literatura

Ricardo Araújo Pereira referiu-se a um episódio anedótico sobre a sua passagem pelo Jornal de Letras, logo após a sua saída da universidade.

Terá pedido para entrevistar a poetisa Adília Lopes, iniciando a conversa com um dos seus poemas:

 

Autobiografia Sumária 

Os meus gatos
 
gostam de brincar
 
com as minhas baratas
 
 
Como o próprio referiu, o objectivo era impressionar a autora com os seus dotes de interpretação e ter-lhe-á dito: 
aqueles versos eram também o resumo da minha vida. Os meus gatos, isto é, aquilo que em mim é felino, arguto, crítico (...), aquilo que em mim é perspicaz - e até cruel - gosta de brincar com as minhas baratas, ou seja, com aquilo que em mim é repugnante, negro, rasteiro, vil. 
 
Ao que a autora terá respondido: 
"Pois. Bom, comigo, o que se passa é que eu tenho gatos. E tenho também baratas, na cozinha. E os gatos gostam de ir lá brincar com elas." E depois exemplificou, com as mãos, o gesto que os gatos faziam com as patinhas. 
 
Obviamente ri-me a bom rir e pensei que é uma pena fazermos um bicho de sete cabeças com patas de baratas, da poesia e outros textos literários. 
 
Ele escreveu sobre esse episódio aqui.
 
 
Veio-me à mente algo que li em  As cartas a um jovem poeta, de Rainer Maria Rilke:
Nada está mais longe de tocar uma obra de arte do que palavras críticas (...).
 
 
(...)
 
Viva dentro destes livros por algum tempo, aprenda com eles o que lhe parecer digno de ser aprendido, mas acima de tudo ame-os. Esse amor será mil vezes retribuído e, o que quer que a vida lhe reserve, estou certo de que este amor fará parte do tecido do seu ser como um dos fios mais importantes por entre os muitos fios das suas experiências, desilusões e alegrias.

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