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Diário de Leituras

"O regresso à cultura. Sim, autenticamente à cultura. Não se pode consumir muito se se fica tranquilamente sentado a ler livros."

"O regresso à cultura. Sim, autenticamente à cultura. Não se pode consumir muito se se fica tranquilamente sentado a ler livros."

Diário de Leituras

16
Abr18

5 leituras

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Nunca substimem o que conseguem ler em pequenos pedaços de tempo. Ou talvez devesse dizer: como eu consegui fazer várias leituras, ao substimar o tempo que iria passar em corredores e salas de espera de hospitais e afins. 

 

Das últimas cinco leituras que fiz, só a leitura do livro da Marilynne Robinson é que foi feita em casa. E quando me acabavam os livros de bolso, até ao telemóvel recorri, lendo um romance via Kindle e uns capítulos de uma trilogia (porque sou uma idiota muito curiosa e não resisti).

 

Love Love Restored,  Carrie Ann Ryan

Adorei a diversidade no meio dos clichés habituais (ele salva-a): luto, relações poliamorosas, tatuados e com piercings no... yep! 

Continua grátis na Amazon, se quiserem aproveitar.

 

Davam grandes passeios aos domingos, José Régio (conto) 

Um pequeno conto (novela?) confessional em encontramos a jovem Rosa Maria, entregue a familiares mais abastados, após perder a mãe. Tratada como uma criada, aceite entre os seus por caridade, é-lhe dada a incumbência de ser mestra de uma das jovens da família, pouco interessada nos "estudos" de bordados e piano.

É um retrato da solidão e da conformidade a papéis sociais, a que muitas mulheres sempre foram (são) sujeitas.

 

Tenho imensa curiosidade em ler um livros de contos do autor: Histórias de mulheres (1946).

 

 

Páginas do Livro do Desassossego, Fernando Pessoa 

Uma total surpresa porque pensei que fosse mais um livro de poesia a que ainda não tinha chegado. 

É magnífico. O Livro do Desassossego é uma colecção de cerca de 500 entradas que Fernando Pessoa foi escrevinhando em papéis diversos, cantos de folhas, etc... 

“São as minhas confissões e, se nelas nada digo, é que nada tenho para dizer.” 

 

Porque não lhes foi dada uma ordem pelo autor, esta cabe aos editores, que aqui surgem quase como co-autores, tal é o cunho que imprimem nas obras.

Eu escolhi (biblioteca municipal) a edição da Tinta-da-China, por Jerónimo Pizzarro porque gosto das indicações de datas e pormenores da nota em si, se acaba por ser um vislumbre da vida de Fernando Pessoa.

Porém, não garanto que não vá mudar de edição, a meio da leitura.

 

 E aos costumes disse nada, David Mourão-Ferreira (conto)

Uma deliciosa comédia de costumes, que envolve um jovem soldado que decide marcar um encontro com uma jovem que conhece, acidentalmente, ao atender o telefone do quartel.

Será que vai aparecer ao encontro? E como é que um cadáver entra nesta história?

Têm de ler. Divirtam-se.

 

Laços de Família, by Marilynne Robinson

Deixei para o final, porque ainda estou a digerir a história.

Eu adoro a trilogia Gilead (embora ainda só tenha lido dois), de Marilynne Robinson. Mas Housekeeping (Laços de Família) é bastante mais negra que Gilead e confesso que não senti a mesma empatia com as personagens deste livro. 

 

Housekeeping venceu o PEN/Hemingway Award e é considerado, no mundo literário, uma das maiores obras do séc.XX. Aliás, na Universidade de Yale, tem direito a duas aulas, no curso de "The American Novel Since 1945".

 

A história é narrada por Ruthie, uma jovem que, com a sua irmã (Lucille), ficou aos cuidados da avó, depois do suicídio da mãe. Depois da morte da avó, ao cargo de duas tias idosas e finalmente ao cuidado de Sylvie, a irmã da mãe.

Passadas de parentes em parentes, vão crescendo um pouco entregues a si próprias.

Ruthie e Lucille acabam por querer percursos de vida diferentes: Ruthie aproxima-se mais da lunática e nómada Sylvie e Lucille procura uma vida normal.

Toda a obra é sobre a presença dos que já não estão presentes: o avó que morreu num descarrilamento de um comboio, a mãe que se suicida no mesmo local. É a constante presença desses fantasmas e da tragédia que envolveu as suas mortes, que marca fortemente toda a história.

 

Pese embora a ligação que não consegui fazer, é um livro construído de forma magistral e com uma linguagem poética belíssima, a que já me habituei com esta autora. 

 

E agora "tenho" de comprar o Home.

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