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Diário de Leituras

"O regresso à cultura. Sim, autenticamente à cultura. Não se pode consumir muito se se fica tranquilamente sentado a ler livros."

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Diário de Leituras

10
Jul18

A ponte invisível - Julie Orringer

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2011 foi um excelente ano para o Prémio Orange: A Ponte Invisível, de Julie Orringer é um dos melhores livros que li este ano e nem chegou aos 6 finalistas (onde encontramos Room, de Emma Donoghue). Por isso, tenho mesmo de ler a obra vencedora desse ano: THE TIGER’S WIFE, de Tea Obreht. 

 

Paris, 1937. Andras Lévi, estudante de arquitetura, chega de Budapeste com uma bolsa de estudo, uma única mala e uma carta misteriosa que prometeu entregar a Claire Morgenstern, uma jovem viúva que vive na cidade. Quando Andras conhece Claire, fica preso na sua vida secreta e extraordinária. Ao mesmo tempo, a tragédia começa a assolar a Europa, colocando-os num estado de terrível incerteza. De uma remota aldeia húngara às óperas grandiosas de Budapeste e Paris, do desespero do inverno nos Cárpatos a uma vida inimaginável em campos de trabalhos forçados, A Ponte Invisível narra a história de um casamento que sobrevive ao desastre e de uma família ameaçada de aniquilação e unida pelo amor e pela história.

 

Apaixonei-me por estas personagens. Foi fácil porque são quase perfeitas, quando enfrentam a adversidades mais banais e os horrores da guerra.

O que não é dito na sinopse é que Andras é judeu e como imaginarão, isso é um facto bastante relevante no advento da 2ª Grande Guerra Mundial. 

 

São quase perfeitas. Uma das críticas frequentes, nos romances (e neste em particular) é que temos personagens perfeitas - filhos perfeitos, irmãos perfeitos, maridos perfeitos, humanos ultra generosos e altruístas, mesmo perante as mais horríveis circunstâncias como a fome, a tortura e a morte. 

 

Será que esta idealização vem do facto de termos uma escritora a narrar factos inspirados na sua vida familiar, ou somos nós que somos cínicos? Não temos provas de extraordinários actos de humanidade e altruísto, durante este período? 

 

É tentador dar excessiva vontade a uma vítima de tamanho crime, como se as suas faltas fossem irrelevantes, no plano maior. Porém, é igualmente tentador achar que não existe complexidade na bondade, agora que gostar de vilões está tão na moda. 

 

Estranha revisão? Lamento, mas este livro arrasou-me, na forma como trata o amor e o ódio. Acima de tudo o medo e a esperança.

Restam ideias soltas, e dias depois de terminar a leitura, as notas sobre a construção de personagens. 

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