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Diário de Leituras

"O regresso à cultura. Sim, autenticamente à cultura. Não se pode consumir muito se se fica tranquilamente sentado a ler livros."

"O regresso à cultura. Sim, autenticamente à cultura. Não se pode consumir muito se se fica tranquilamente sentado a ler livros."

Diário de Leituras

18
Mai18

I’ll be gone in the dark - Michele McNamara

 

"This is how it ends for you. 'You’ll be silent forever, and I’ll be gone in the dark" 

 

Durante mais de 40 anos, um homicida (mais de 12 mortes) e violador em série (mais de 50 violações) aterrorizou comunidades. Embora os seus crimes tenham sido identificados entre 1974 e 1986, a verdade é que aterrorizou as suas vítimas e as suas comunidades, muito para além das datas em concreto dos seus crimes.

 

Num tempo em que o cruzamento de dados era coisa inautida entre forças policiais, foi actuando em diversos estados dos EUA, impunemente. Apenas há um mês, foi identificado através de DNA. Tem 72 anos de idade.

 

Este é um livro de não ficção, categorizado com "true crime" (crime verdadeiro), um género de que teoricamente gosto, mas que em regra me afasto, dado que em regra tem o seu enfoque nos criminosos e seus actos, relegando as vítimas a uma mera consequência. 

 

Eu achava que Michele McNamara não era assim e quando ouvi este livro, senti que não me tinha enganado. I’ll be gone in the dark não é apenas sobre um criminoso, mas também sobre a comunidade policial que nunca desistiu, as vítimas que nunca encontraram paz, as comunidades que aterrorizou e da autora, que sonhou com um fim que não chegou a conhecer. 

 

O livro flui de forma rápida (na verdade, é impossível largar) e as partes compostas postumamente, a partir das suas notas, são identificadas e cuidadosamente explicadas.

 

A experiência de leitura é verdadeiramente imersiva e sentimos que a jornalista nos dá uma visão global de tudo que está relacionado com estes crimes, dos modus operandi, dos procedimentos policiais, das comunidades online, tão motivadas como ela, do choque provocado nas comunidades, nas vítimas e seus familiares (dos casamentos que não resistiram, às drogas para atenuar a dor), do que falhou, o que traria (e trouxe) o fim da impunidade... 

 

Sinto que Michele McNamara estaria a escrever uma verdadeira obra prima. Fica o agridoce de saber que, para sempre, o nome dela ficará associado a este criminoso, como a luz da qual ele não conseguiu fugir.