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Diário de Leituras

"O regresso à cultura. Sim, autenticamente à cultura. Não se pode consumir muito se se fica tranquilamente sentado a ler livros."

"O regresso à cultura. Sim, autenticamente à cultura. Não se pode consumir muito se se fica tranquilamente sentado a ler livros."

Diário de Leituras

18
Mar18

Lido: Marquesa de Alorna

A Marquesa de Alorna foi a minha primeira biografia romanceada sobre esta personagem mítica dos sécs. XVIII-XIX e a primeira obra da autora Maria João Lopo de Carvalho. 

 

A Marquesa de Alorna, tinha 5 anos quando ocorreu o grande terramoto de Lisboa, tendo sobrevivido a este e ao que se seguiria: o processo dos Távoras, seus avós. O Marquês de Pombal foi, por isso, sempre um ódio de estimação. Com sua mãe e irmã, foi aprisionada no Convento de Chelas com apenas 8 anos de idade, juntamente com a sua mãe e irmã. Aí ficaria durante 18 anos, saindo aos 27 anos, após a morte do Marquês de Pombal, a quem sempre recusou pedir pela sua liberdade.

 

No convento teve alta instrução, em línguas, artes, filosofia e história, destacando-se em tudo. Num tempo em que, ser mulher era incompatível com escrever com nome próprio, passou a ser Alcipe (figura da mitologia grega), nas tertúlias literárias.

 

Acompanhando o marido ou as suas próprias convicções políticas, viveu em diversas metrópoles europeias, destacando-se em todas as cortes, pela sua singularidade, privando com reis e artistas. Mulher de convicções fortes, defendia um método educacional rigoroso, chegando mesmo a instruir as crianças das camadas mais pobres da população. 

 

Foi também uma mulher de paixões, casando contra a vontade paterna e depois tornando-se amante de um jovem general (com menos 25 anos), que viria a assassinar. 

 

Em suma, uma história fascinante que me faz, ainda mais, querer ler o As luzes de Leonor, de Maria Teresa Horta, sua descendente.

 

Já quanto ao livro, confesso que já li melhores biografias ficcionadas. Os saltos entre os diferentes narradores não são fluidos e acabam por parecer muito forçados. E há reflexões e discursos que são um pouco a roçar o básico. 

Ainda assim, valeu muito a pena ter pegado neste calhamaço.