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Diário de Leituras

"O regresso à cultura. Sim, autenticamente à cultura. Não se pode consumir muito se se fica tranquilamente sentado a ler livros."

"O regresso à cultura. Sim, autenticamente à cultura. Não se pode consumir muito se se fica tranquilamente sentado a ler livros."

Diário de Leituras

28
Jun18

Lidos: Maria Isabel Barreno, Maria Teresa Horta e Nuno Júdice

Num dia com longas horas de espera, terminei: Sensos Incomuns, de Maria Isabel Barreno, Cronista não é recado, de Maria Teresa Hora e Pedro, Lembrando Inês, de Nuno Júdice.

 

Este dia é um excelente exemplo do porquê de andar sempre com um livro. Na verdade, estou seriamente a considerar deixar um livro no porta-luvas - é que o que levei para a manhã, acabou cedo demais.  

 

Sensos Incomuns - Maria Isabel Barreno (1993)

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Depois de Novas Cartas Portuguesas (1972, em co-autoria)A Morte da Mãe (1972), este é o meu terceiro livro de Maria Isabel Barreno. 

Uma verdadeira pechincha (€1) que há muito aguardava vez na estante. 

 

Este pequeno livro de contos é uma deliciosa leitura com personagens fascinantes, com sensos incomuns. E a forma como usa a palavra para criar imagens inusitadas, é sublime: 

Assim pensava Madre Angélica, invariavelmente, atravessando os escuríssimos corredores, ouvindo o ressonar das suas irmãs em Cristo, e concluía, sempre com um estremecimento: quantas obstruções e filtros e escuras passagens temos dentro de nós, acerca dos quais ignoramos tudo, e que sub-repticiamente se revelam ao conhecimento dos outros, na nossa inconsciência, pela calada da noite ou por qualquer outro lapso de nossa vigilância. 

 

#bookbingoleiturasaosol2

Se estão a fazer o Book Bingo leituras ao Sol 2 (aqui), fica a dica que este livro de contos, que custa apenas €1.00, venceu o Grande Prémio do Conto Camilo Castelo Branco (1993).

 

 

Cronista não é recado - Maria Teresa Horta (1967)

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Mais um das 3 Marias das Novas Cartas Portuguesas (1972, em co-autoria), que revisito. Desta feita, um pequeno livro da sua poesia mais antiga. 

O livro encontra-se divido em três conjuntos: um em que a temática é mais social, com enfoque nos trabalhadores; outro em que o tema são as mulheres e finalmente um conjunto de poemas que afloram a História de Portugal.  

Não é um livro de poemas de fácil compreensão, para leigas como eu, mas eu considero isso um aspecto a melhorar e não uma barreira para a leitura.

 

Frequentemente, a poesia depende de um grande domínio da linguagem e do conhecimento das vivências culturais e históricas da poetisa/do poeta. 

 

Porém, mesmo com as obras mais "difíceis" há sempre um momento de sintonia entre poetisa e leitora que é difícil esquecer. Como se estivéssemos a viver o mesmo, a pensar no mesmo e neste caso, a sentir a mesma frustração: 

 

CRÓNICA SOBRE O PAÍS AO SEU POVO 

 

Levam os feitos para a

História

reis de tronos cinzelados

 

Para quem é malfadado

não há brocado 

nem fato

 

Cronistas dizem das naus

mas não dizem do arado

que lavra a História do povo

feita de povo descalço

(...)

 

Pedro, Lembrando Inês, de Nuno Júdice (2001) 

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Pedro, Lembrando Inês, de Nuno Júdice é uma releitura a que volto com alguma frequência. Ando a lê-lo e relê-lo desde a sua publicação.

Peguei nele por capricho, na biblioteca, apesar de ter um exemplar em casa. Mas o meu em nada se assemelha à edição da Dom Quixote com tons sépia.

 

Pedro, Lembrando Inês é um livro que recomendo a quem "não lê poesia", esse e toda a obra de Eugénio de Andrade. :)   

 

#readingwomenmonth