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Diário de Leituras

"O regresso à cultura. Sim, autenticamente à cultura. Não se pode consumir muito se se fica tranquilamente sentado a ler livros."

"O regresso à cultura. Sim, autenticamente à cultura. Não se pode consumir muito se se fica tranquilamente sentado a ler livros."

Diário de Leituras

04
Mar18

São contos, senhor, são contos

Felizmente, na minha vida literária, cruzei-me com alguém que me ensinou a amar a forma do conto. Tomada por muitos como uma forma menor, eu argumento que é muito mais difícil escrever um conto bem formado em 20 páginas que em 200.  

 

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A generalidade das pessoas recordar-se-à de Edith Wharton, como a autora de A idade da inocência. Mas a autora é também considerada uma das maiores contistas americanas do séc. XIX, com "histórias supinamente bem arquitectadas, em personagens paródicas ou excêntricas, em desfechos sarcásticos e desconcertantes".

 

O pelicano é exactamente isso e muito mais, porque encontrei nele a metáfora perfeita para o mundo de geração de conteúdos na/para internet. Sigam-me por favor.

 

A Sra. Amyot é uma viúva, com um pequeno filho a cargo, que ganha a vida como palestrante em conferências de salão, com temas como arte e literatura.

 

As conferências de salão estavam muito em voga, nos sécs. XVII, até a primeira metade do séc. XIX.

Nestas, alguém erudito num tema, apresentava uma palestra e poderia (ou não) haver lugar a uma discussão. Como deverão calcular, estes encontros, destinavam-se às classes mais altas da sociedade. O encontro era tão intelectual como social, pelo que não só se ia para ouvir, como para ser visto.

 

Felizmente para a Sra. Amyot, o público não era muito entendido nas matérias pelo que bastava que soubesse apresentar os conteúdos de forma convincente. 

Porém, o mesmo, sempre ávido de novidades, não queria aprofundar conhecimentosa, ficando feliz em abarcar o muito pela rama. E aí começaram os problemas da Sra. Amyot, que esgota os seus temas. Então, o nosso narrador vem em seu auxílio, organizando temas e assim tornando-se o seu cúmplice na fraude.

 

O final é o prometido: supreendente, divertido e sarcástico.

 

Se conseguirem ler em inglês, podem encontrar o conto aqui.