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Diário de Leituras

"O regresso à cultura. Sim, autenticamente à cultura. Não se pode consumir muito se se fica tranquilamente sentado a ler livros."

"O regresso à cultura. Sim, autenticamente à cultura. Não se pode consumir muito se se fica tranquilamente sentado a ler livros."

Diário de Leituras

17
Jul18

Contos Exemplares de Sophia de Mello Breyner #3

 

 

A viagem

Este, pareceu-me um dos contos mais abstractos.

Um casal vai a caminho da sua nova casa no campo e perde-se. Mas não se perdem porque não saber a direcção, mas porque tudo em sua volta, começa a desaparecer. Estão sempre à procura: da estrada, de alguém que os ajude, de referências. Vão seguindo, em busca do que estará à frente. Raramente apreciam o local onde estão e o que tem para lhes oferecer. Adiam os prazeres e eles também desaparecem. 

É a vida.

 

E dentro do carro que os levava, a mulher disse ao homem:

-  É o meio da vida.

 

Através dos vidros, as coisas fugiam para trás. As casas as pontes, as serras, as aldeias, as árvores e os rios fugiam e pareciam devorados sucessivamente. Era como se a própria estrada os engolisse.

 

A leitura partilhada de Contos Exemplares de Sophia de Mello Breyner, está a ser feita no Clube dos Clássicos Vivos, entre Julho e Agosto.

07
Set17

Dom Casmurro - Machado de Assis

 

Depois de ter terminado, descobri que comecei Machado de Assis pelo terceiro volume daquilo que é considerada a sua trilogia realista:

Memórias Póstumas de Brás Cubas (1881)

Quincas Borba (1891)

Dom Casmurro (1899)

 

Porém, foi o eleito para o Clube dos Clássicos Vivos (Setembro/Outubro) e há muito que estava na TBR. 

 

Machado de Assis é considerado um dos autores máximos da literatura brasileiro. Conheço-o como fazendo parte da escola realista, como Eça de Queiróz, por exemplo. Mas ao contrário deste último é mais um realismo psicológico, que um social.

 

Uma das características mais marcantes deste autor é o seu diálogo com a/o leitor/a. Na verdade, é um tu cá/tu lá, e fa-lo com muito humor. 

 

Se desejarem ler Machado de Assis, saibam que é um autor que está no domínio público e podem facilmente encontrar toda a sua obra online. 

Destaco Machado de Assis - Vida e obra, um projecto do Ministério da Educação Brasileiro e a Universidade Federal de Santa Catarina. 

 

1

07
Mar16

Sensibilidade e bom senso - Jane Austen

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 A releitura do Sensibilidade e bom senso de Jane Austen foi determinada pelo Clube dos Clássicos Vivos. Não me recordo das minhas impressões da primeira leitura, mas tambem não costumo prender-me a elas. descobri há muito que crescemos e a leitura que fazemos dos livros e da vida, crescem connosco.

 

A obra centra-se na vida de duas irmãs, numa Inglaterra do séc.XIX, cujo cenário principal alterna entre o campo bucólico e os salões de festas. Do principio ao fim, não temos muito mais que algumas caricaturas sociais e uma trama centrada na finalidade das mulheres da época - casarem. 

Marianne é a jovem de 16 anos que almeja um amor verdadeiro e ardente; deseja viver intensamente e honestamente prega as suas convicções  - de adolescente - a quem a quer (ou não) ouvir. Elinor é a mais velha e sensata, cujas paixões esconde; muito sofrida e muito elevada em sentimentos. O paralelo no masculino faz-se no safado do Willoughby e no sofrido Coronel Brandon. 

 

Este Sensibilidade e bom senso não tem o brilho de Orgulho e Preconceito. Falta-lhe qualquer coisa que não consigo identificar. Mas não posso deixar de fazer o paralelo entre Elizabeth e Elinor e, entre as duas, a primeira é superior.  

 

Outra coisa que me condicionou a leitura foi o filme. É impossível não estar, constantemente, a comparar as duas versões da obra. 

 

Confesso que continuo a preferir Elizabeth Gaskell, outra inglesa do período vitoriano, mas com uma contemporaneidade muito maior sobre o papel das mulheres e até sobre condições laborais em fábricas. Por falar nisso, impõe-se uma releitura de Norte e Sul.

13
Set15

Clube dos Clássicos Vivos - Moby Dick - 13 de 14

Em Agosto li Moby Dick, juntamente com as/os restantes membros do Clube dos Clássicos Vivos, moderado pela Cláudia Oliveira (A mulher que ama livros).

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Lembram-se? Moby Dick é aquela gigantesca baleia branca que o capitão Ahab persegue nas páginas do romance de Herman Melville. É (dizem os exegetas autorizados da obra) uma encarnação do mal, sobre que se obstina, sur­do a conselhos e razões, o ódio de Ahab. Ao longo de centenas de páginas, ficamos a saber tudo a respeito da caça da baleia no sécu­lo XIX e de como se faz uma obra-prima literá­ria. Moby Dick, agora título de livro, é provavelmente o maior romance de toda a lite­ratura norte-americana. 

(in Moby Dick em Lisboa de José Saramago)

ler aqui

12
Set15

Clube dos Clássicos Vivos - Moby Dick - 12 de 14

Em Agosto li Moby Dick, juntamente com as/os restantes membros do Clube dos Clássicos Vivos, moderado pela Cláudia Oliveira (A mulher que ama livros). 

 

- Presságio? Presságio? O dicionário! Se os deuses pensarem falar directamente para o homem, eles farão honrada e frontalmente. Não abanarão as suas cabeças fazendo insinuações de velhas mulheres. 

(capítulo 133)