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Diário de Leituras

"O regresso à cultura. Sim, autenticamente à cultura. Não se pode consumir muito se se fica tranquilamente sentado a ler livros."

"O regresso à cultura. Sim, autenticamente à cultura. Não se pode consumir muito se se fica tranquilamente sentado a ler livros."

Diário de Leituras

15
Jul18

Curtas literárias

1. 

Lido

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Como havia referido, decidi substituir uma leitura falhada pela autora Beverly Jenkins, premiada no género literário do romance e que desejava ler por ser conhecida por utilizar a história negra como enquadramento das suas criações.

 

Antes de mais, como romance no sentido estrito, desiludiu.

Ponto negativo nº 1: menina divorciada mas inexperiente conhece homem seguro, rico e poderoso, bláaaa....

Ponto negativo nº 2: ele a convidá-la para jantar, para que esta lhe apresente um projecto para o qual ela necessita que ele aprove fundos públicos. Ouviram as campainhas de assédio sexual a tocar?

Ponto positivo: a descrição de uma relação realista, em crescimento, sem imprevistos irrealistas, apenas para criar tensões. 

 

Agora esqueçam que é um romance (de amor) e entremos naquilo pelo qual a autora é famosa: o contexto. Senhoras e senhoras, este é um incrível romance/thriller/policial contemporâneo sobre os crimes ambientais cometidos em cidades pobres como Detroit, em que empresas fazem descargas ilegais de lixo em zonas pobres, que resultam em solos com níveis tóxicos de elementos como o mercúrio, chumbo,arsénico e outros.

As práticas, as consequências dramáticas para a saúde das populações, que já resultam em problemas de desenvolvimento cerebral em crianças, são monstruosos. E Beverly Jenkins faz um retrato pungente, mas sóbrio. Só por isso, recomendaria este livro.

 

E páro por aqui, porque o tema do dumping em comunidades/países pobres é tema demasiado vasto e sério para ser tratado levianamente num blog literário.

 

2. 

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Primeiro foi o vídeo do Steve Donoghue que me deixou absolutamente convencida que um livro sobre castores, era o que eu precisava na minha biblioteca. 

Vou espreitar a página oficial do autor: bengoldfarb.com e descubro este fascinante artigo sobre como a introdução dos castores no ecossistema, resulta na regeneração do mesmo. 

Although Wilde, a gruff, tobacco-chewing cattleman, didn't grow up a beaver lover, he's become a staunch advocate, even lecturing at local universities about the project's success. “Now, I'll put in an earring and grow a ponytail if that's what it takes to get the message out."

 

3. 

Entrevistas

Marilynne Robinson: ‘Obama was very gentlemanly ... I'd like to get a look at Trump’ [The Guardian Books]

30
Jun18

Os Miseráveis

 

FINALMENTE! Consegui terminar o 1º livro de Os Miseráveis. 

Os meus objectivos de leitura para Junho eram: ler 4 livros e um deles teria de ser este 1º volume, cuja leitura estava suspensa, há muito. 

 

Algumas pessoas irão agora sentir algum desconforto, mas aí vai: depois de ler o 1º livro dos Miseráveis, sou da opinião que ele tem momentos de brilhantismo, intercalados por partes de escrita "a metro". 

 

E mais não digo, arrogando-me o direito de avaliar a obra no seu todo.

 

30
Jun18

Lidos em 2018

Janeiro

1. O Moinho à Beira do rio - George Eliot, pseud. (Mary Ann Evans) E

2. Um estudo em vermelho - Arthur Conan Doyle  E

3. A conspiração - Dan Brown E

4. The Governess Affair - Courtney Milan K

5. Sarah Waters, Os hóspedes  B

6. Texas Bride,  Joan Johnston   E

7. A escrava Isaura - Bernardo Guimarães W

 

 

Fevereiro

8. Groom by Arrangement, by Susanne McCarthy   E

9. Courting Cathie, Helen Shelton   E

10. His Sheltering Arms, Kristi Gold   E

11. Segredos de um final feliz, Lucy Dillon B

12. O signo dos quatro, Sir Arthur Conan Doyle   E

13. Leslie Jamison, The Empathy Exams: Essays  E

14. O conde de Monte Cristo, Alexandre Dumas  

15.  Breaking Good,  Madeline Ash  K

 

Março

16. Marquesa de Alorna, Maria João Lopo de Carvalho E 

17. A vida secreta das abelhas - Sue Monk Kidd E 

18. O Mistério dos Mistérios, Clara Pinto Correia E 

19. Bom sono, boa vida, Teresa Paiva  B

 

Abril

20. Páginas do livro do desassossego, Fernando Pessoa   E 

21. Love Restored,  Carrie Ann Ryan K 

22. Laços de Família, Marilynne Robinson  B

23.  O Canto de Aquiles, Madeline Miller  B

24. Olha-me nos olhos, John Elder Robinson  B

 

Maio

25. Cartas a um Jovem Poeta, Rainer Maria Rilke  E 

26. Esse Cabelo, Djaimilia Pereira de Almeida  B

27. Sex Object, Jessica Valenti [Audiobook] S

28. I’ll be gone in the dark - Michele McNamara [Audiobook] S

29. Toda a Mafalda, Quino  B  

30. A volta ao mundo em 80 dias, de Júlio Verne  B 

 

Junho  [#readingwomenmonth]

31. American Fire, Monica Hesse [Audiobook] S

32. Racismo em Português - O lado esquecido do colonialismo, Joana Gorjão Henriques  B 

33. Pequenos vigaristas, Gillian Flynn B  

34. A Leoa: Um Retrato Gráfico de Karen Blixen, de Anne-Caroline Pandolfo e Terkel Risbjerg B  

35. Frida,  Sébastien Pérez e Benjamin Lacombe B 

36. Escândalo,  Penny Vincenzi B 

37. A livraria, Penelope Fitzgerald E 

38. Cronista não é recado, Maria Teresa Horta  B 

39. Sensos Incomuns, Maria Isabel Barreno  E 

40. Pedro, Lembrando Inês, Nuno Júdice B 

41 . Os miseráveis, Victor Hugo  E 

 

Julho 

42. Contos exemplares, Sophia de Mello Breyner Andresen B 

43. A ponte invisível, Julie Orringer B 

44. Amor de perdição, Camilo Castelo Branco  E

45. Black Lace,  Beverly Jenkins B 

46. Harry Potter e a Criança Amaldiçoada - John Tiffany, Jack Thorne, J.K. Rowling E

 

CONTOS

O pelicano, Edith Warton E 

A mãe, Natália Ginzburg E

Um bom homem é difícil de encontrar, Flannery O´Connor E

Obras, Mary Lydon E

Davam grandes passeios aos domingos, José Régio E 

E aos costumes disse nada, David Mourão-Ferreira  E 

Estação morta, Maria Ondina Braga E 

Fotos de gatinhos, por favor (conto), Naomi Kritzer Revista Bang, 05/2018 

 

 

Leituras suspensas

O erro de Descartes, António Damásio  

Pensar, Depressa e Devagar, Daniel Kahneman  

 

Desisti

A pirata - Uma história aventurosa de Mary Read, pirata das Caraíbas, de Luísa Costa Gomes

Barão de Lavos, de Abel Botelho 

 

 

EEstante

B - Biblioteca

K - Kindle

S - Scribd

 

Actualizado em 30.06.2018

28
Jun18

Lidos: Maria Isabel Barreno, Maria Teresa Horta e Nuno Júdice

Num dia com longas horas de espera, terminei: Sensos Incomuns, de Maria Isabel Barreno, Cronista não é recado, de Maria Teresa Hora e Pedro, Lembrando Inês, de Nuno Júdice.

 

Este dia é um excelente exemplo do porquê de andar sempre com um livro. Na verdade, estou seriamente a considerar deixar um livro no porta-luvas - é que o que levei para a manhã, acabou cedo demais.  

 

Sensos Incomuns - Maria Isabel Barreno (1993)

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Depois de Novas Cartas Portuguesas (1972, em co-autoria)A Morte da Mãe (1972), este é o meu terceiro livro de Maria Isabel Barreno. 

Uma verdadeira pechincha (€1) que há muito aguardava vez na estante. 

 

Este pequeno livro de contos é uma deliciosa leitura com personagens fascinantes, com sensos incomuns. E a forma como usa a palavra para criar imagens inusitadas, é sublime: 

Assim pensava Madre Angélica, invariavelmente, atravessando os escuríssimos corredores, ouvindo o ressonar das suas irmãs em Cristo, e concluía, sempre com um estremecimento: quantas obstruções e filtros e escuras passagens temos dentro de nós, acerca dos quais ignoramos tudo, e que sub-repticiamente se revelam ao conhecimento dos outros, na nossa inconsciência, pela calada da noite ou por qualquer outro lapso de nossa vigilância. 

 

#bookbingoleiturasaosol2

Se estão a fazer o Book Bingo leituras ao Sol 2 (aqui), fica a dica que este livro de contos, que custa apenas €1.00, venceu o Grande Prémio do Conto Camilo Castelo Branco (1993).

 

 

Cronista não é recado - Maria Teresa Horta (1967)

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Mais um das 3 Marias das Novas Cartas Portuguesas (1972, em co-autoria), que revisito. Desta feita, um pequeno livro da sua poesia mais antiga. 

O livro encontra-se divido em três conjuntos: um em que a temática é mais social, com enfoque nos trabalhadores; outro em que o tema são as mulheres e finalmente um conjunto de poemas que afloram a História de Portugal.  

Não é um livro de poemas de fácil compreensão, para leigas como eu, mas eu considero isso um aspecto a melhorar e não uma barreira para a leitura.

 

Frequentemente, a poesia depende de um grande domínio da linguagem e do conhecimento das vivências culturais e históricas da poetisa/do poeta. 

 

Porém, mesmo com as obras mais "difíceis" há sempre um momento de sintonia entre poetisa e leitora que é difícil esquecer. Como se estivéssemos a viver o mesmo, a pensar no mesmo e neste caso, a sentir a mesma frustração: 

 

CRÓNICA SOBRE O PAÍS AO SEU POVO 

 

Levam os feitos para a

História

reis de tronos cinzelados

 

Para quem é malfadado

não há brocado 

nem fato

 

Cronistas dizem das naus

mas não dizem do arado

que lavra a História do povo

feita de povo descalço

(...)

 

Pedro, Lembrando Inês, de Nuno Júdice (2001) 

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Pedro, Lembrando Inês, de Nuno Júdice é uma releitura a que volto com alguma frequência. Ando a lê-lo e relê-lo desde a sua publicação.

Peguei nele por capricho, na biblioteca, apesar de ter um exemplar em casa. Mas o meu em nada se assemelha à edição da Dom Quixote com tons sépia.

 

Pedro, Lembrando Inês é um livro que recomendo a quem "não lê poesia", esse e toda a obra de Eugénio de Andrade. :)   

 

#readingwomenmonth