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Diário de Leituras

"O regresso à cultura. Sim, autenticamente à cultura. Não se pode consumir muito se se fica tranquilamente sentado a ler livros."

"O regresso à cultura. Sim, autenticamente à cultura. Não se pode consumir muito se se fica tranquilamente sentado a ler livros."

Diário de Leituras

20
Ago18

Armas, Germes e Aço - Jared Diamond

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 Armas, Germes e Aço, de Jared Diamond venceu, entre outros, o prémio Pulitzer em 1998. Não sendo um livro perfeito, é um livro fundamental. 

 

O autor, um geógrafo, apesar de chamar ao livro Armas, Germes e Aço, dá como pressuposto que a sociedades humanas complexas emergem de excedentes alimentares, que por sua vez permitem uma maior densidade populacional e a possibilidade de sustentar pessoas não produtivas de alimentos como artesãos, inventores, militares, chefes... 

 

Peço-vos que olhem para o mapa e se perguntem:

- porque motivo algumas sociedades evoluíram para formas complexas e outras permaneceram (até hoje) caçadoras-recolectoras? 

- porque motivo as sociedades da Euroásia dominaram e até conquistaram outros povos?

 

Dou-vos, a resposta de antemão: "não devido a biologia humana, mas sim por causa das diferenças nos ambientes continentais." 

 

Considerem o seguinte: 

- uma mãe caçadora-recolectora tem de acompanhar o grupo nas mudanças de acampamento, carregando a sua criança, logo só poderá ter outra, quando a anterior for capaz de a acompanhar a pé;

- uma mãe sedentária pode criar tantos filhos quantos seja capaz de alimentar. 

 

Assim, a densidade populacional no primeiro caso é controlada para uma razão de 1 criança a cada 4 anos e no caso de povos sedentários, de 2 anos. A força dos números.

 

Acresce que, de todas as plantas existentes na Terra, só uma pequena porção é comestível para humanos. Assim, enquanto que os caçadores-recolectores têm de percorrer grandes distâncias para se alimentarem, os agricultores concentram num pequeno espaço uma produção maior de calorias comestíveis. 

 

Olhem novamente para o mapa, por favor. Pensem na agricultura. Para onde acham que ela se propagará? 

 

A euroásia (incluindo o norte de África) é a maior massa terrestre do mundo; o seu eixo este-oeste permite que muitas culturas e invenções se transmitissem com relativa rapidez para sociedades com latitudes e climas análogos.

 

Com efeito, a disseminação das culturas depende de semelhantes mudanças sazonais, temperatura e pluviosidade.

Mas também de sorte na lotaria geográfica: ausência de barreiras ecológicas e aquáticas, como por exemplo o deserto do Sara ou o istmo do Panamá, entre outros. 

 

Importa referir que isto não são teorias abstractas. Jared Diamond vai apontando descobertas na área da datação de carbono, genética e até molecular que mostram os tempos e as geografias da evolução de homens, plantas, animais e germes. 

 

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A história da humanidade é assim repleta de factores que determinaram a evolução de um povo ou a conquista de outro e J. Diamond utiliza países, zonas ou episódios da nossa história e até a linguística para demonstrar diferenças evolutivas. 

 

Por exemplo, o que levou à queda dos povos índios, apesar da sua superioridade numérica face aos invasores?

No que respeita aos incas, não foram as armas de fogo dos espanhóis, difíceis de recarregar, mas as de aço que chacinavam índios com armaduras leves, em oposição às mocas incas que não eram capazes de causar danos a armaduras de aço dos espanhóis. 

 

Porém, a grande arma dos invasores foram os germes: 

As doenças introduzidas pelos europeus espalharam-se de tribo para tribo um pouco por todas as Américas, antecipando-se ao avanço dos próprios europeus e matando um total estimado de 95% da população nativa americana pré-colombiana". 

 

Jarod Diamond percorre 13 mil anos da nossa evolução para nos demonstrar a importância da domesticação das plantas, dos animais, de como evoluíram e se propagaram sistemas de escrita, do porquê da inovação tecnológica no Japão, entre outras informações chave. Em suma, como chegamos até aqui. 

 

Apesar de algumas repetições, toda a informação científica é exposta com uma clareza que surpreende. Sinceramente, considero grave ter chegado até à data sem este conhecimento, querendo ser uma pessoa do mundo, cidadã informada. A nossa evolução não terminou e saber como chegamos aqui é imprescindível para um futuro melhor. 

 

E se com este longo post não vos convenci que este livro é fundamental, é porque EU falhei ao redigi-lo. 

 

 

P.S. - Se não o lerem, o vosso castigo será não saberem porque a zebra não foi domesticada e porque o vosso teclado foi feito para escreverem mais devagar. 

15
Ago18

Casamento de conveniência de Georgette Heyer

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Na primeira quinzena de Agosto terminei Armas, Germes e Aço de Jared Diamond (de que falarei mais tarde, porque preciso de consolidar algumas conclusões) e Casamento de Conveniência de Georgette Heyer

 

Este último, foi lido em pouco mais de uma noite e foi um excelente limpa palato, depois de um colosso como Armas, Germes e Aço.

 

 

Georgette Heyer (1902-1974) é conhecida pelos seus romances de regência, na verdade, é tida como a criadora do género, com fortes inspirações em Jane Austen. 

Dentro do género é reconhecida como exímia nos pormenores da época, sendo reputada de ter, à data da sua morte, mais de 1000 livros de referências históricas. E com efeito, não me recordo de ver tantas notas de rodapé num livro de ficção. 

Além de romances históricos, escreveu diversos policiais.

 

O que são Romances de regência?

Os romances de regência são assim chamados porque respeitam a um período de regência na Inglaterra (1811–1820).

O rei Jorge III, tendo sido considerado incapaz de governar, foi substituído pelo seu filho, que foi regente até à morte do pai, data em que sucede ao trono.  

A este período, seguiu-se a "época vitoriana".

 

Casamento de Conveniência, é considerado uma das obras do período georgiano (reis Jorge I a IV) de Georgette Heyer, com a história a situar-se em 1776, numa Inglaterra de condes e viscondes. 

 

A história começa com três irmãs (Elizabeth, Charlotte e Horatia) pesarosas porque a mais velha foi pedida em casamento pelo rico conde Rule. O pesar deve-se ao facto de a jovem estar enamorada de um pobre tenente e a segunda irmã (Charlotte) não querer casar com ninguém. Resta Horatia, considerada demasiado jovem, por ter apenas 17 anos (o que não compreendi).

 

O noivo, não está verdadeiramente apaixonado por ninguém. Aos 35 anos achou que era tempo de casar e a família Winwood era apropriada. Felizmente, era também muito interessada no "negócio" porque o filho mais novo estava atolado em dívidas até ao pescoço. Muito conveniente.

 

Porém, a mais jovem das Winwood, Horatia, coloca-se na linha de fogo e oferece-se ao conde Markus Rule como substituta da irmã. O casamento será o ponto de partida para uma série de desenvolvimentos mais ou menos mirabolantes.

 

E foi precisamente no desenrolar destes últimos, que a autora me perdeu. Eu adorei o início, a introdução das personagens e o fantástico sentido de humor da autora. Mas as peripécias e as reações das personagens aos acontecimentos eram demasiado inverosímeis. 

 

Destaco um pormenor, o facto de Horatia - a personagem principal - ser gaga e esse facto se reflectir em todo o texto, apesar de não ter relevo na história em si, o que considerei único.

 

Em suma, ri-me a bom rir e senti que foi uma excelente introdução na autora, que gostaria de revisitar.

 

31
Jul18

Lidos em Julho

Lidos:

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Adorei todas as leituras que fiz este mês, sem excepção.

Gostei da variedade que me trouxe: fantasia, romance diverso, clássico, do calhamaço aos contos, do histórico ao contemporâneo.  

 

A ler:

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Para terminar até ao final da semana, já que tem de ser devolvido á biblioteca.  

23
Jul18

Ia fazer um post com sugestões de leitura para o verão, mas...

Apenas entre os que li da minha biblioteca municipal. Quem sabe se não encontram na vossa!

 

Biografias:

Cleópatra - Stacy Schiff (auto-link) 

A vida imortal de Henrietta Lacks - Rebecca Skloot (auto-link) 

 

Outra não ficção:

A sexta extinção - Elizabeth Kolbert  (auto-link)

Racismo em Português - Joana Gorjão Henriques (auto-link)

 

Ficção Científica:

Estação Onze - Emily St. John Mandel (auto-link)

 

Fim.

Cheguei à conclusão que me seria impossível deixar de fazer uma lista com tão poucos livros, quando há tão boa oferta.

Posso escolher 10 fantásticos livros que li em ficção, mesmo que optasse por sub géneros.

Como é que conseguem fazer estas listas? 

15
Jul18

Curtas literárias

1. 

Lido

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Como havia referido, decidi substituir uma leitura falhada pela autora Beverly Jenkins, premiada no género literário do romance e que desejava ler por ser conhecida por utilizar a história negra como enquadramento das suas criações.

 

Antes de mais, como romance no sentido estrito, desiludiu.

Ponto negativo nº 1: menina divorciada mas inexperiente conhece homem seguro, rico e poderoso, bláaaa....

Ponto negativo nº 2: ele a convidá-la para jantar, para que esta lhe apresente um projecto para o qual ela necessita que ele aprove fundos públicos. Ouviram as campainhas de assédio sexual a tocar?

Ponto positivo: a descrição de uma relação realista, em crescimento, sem imprevistos irrealistas, apenas para criar tensões. 

 

Agora esqueçam que é um romance (de amor) e entremos naquilo pelo qual a autora é famosa: o contexto. Senhoras e senhoras, este é um incrível romance/thriller/policial contemporâneo sobre os crimes ambientais cometidos em cidades pobres como Detroit, em que empresas fazem descargas ilegais de lixo em zonas pobres, que resultam em solos com níveis tóxicos de elementos como o mercúrio, chumbo,arsénico e outros.

As práticas, as consequências dramáticas para a saúde das populações, que já resultam em problemas de desenvolvimento cerebral em crianças, são monstruosos. E Beverly Jenkins faz um retrato pungente, mas sóbrio. Só por isso, recomendaria este livro.

 

E páro por aqui, porque o tema do dumping em comunidades/países pobres é tema demasiado vasto e sério para ser tratado levianamente num blog literário.

 

2. 

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Primeiro foi o vídeo do Steve Donoghue que me deixou absolutamente convencida que um livro sobre castores, era o que eu precisava na minha biblioteca. 

Vou espreitar a página oficial do autor: bengoldfarb.com e descubro este fascinante artigo sobre como a introdução dos castores no ecossistema, resulta na regeneração do mesmo. 

Although Wilde, a gruff, tobacco-chewing cattleman, didn't grow up a beaver lover, he's become a staunch advocate, even lecturing at local universities about the project's success. “Now, I'll put in an earring and grow a ponytail if that's what it takes to get the message out."

 

3. 

Entrevistas

Marilynne Robinson: ‘Obama was very gentlemanly ... I'd like to get a look at Trump’ [The Guardian Books]