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Diário de Leituras

"O regresso à cultura. Sim, autenticamente à cultura. Não se pode consumir muito se se fica tranquilamente sentado a ler livros."

"O regresso à cultura. Sim, autenticamente à cultura. Não se pode consumir muito se se fica tranquilamente sentado a ler livros."

Diário de Leituras

20
Mai18

"Book Haul" ou "Olha o que eu comprei/recebi"

Na comunidade de Booktubers, é frequente a existência de vídeos dedicados a mostrar o que compraram ou receberam, num determinado período de tempo.

 

Recentemente, mais notável entre os mais notáveis da comunidade, começa a evidenciar-se um claro desconforto nessas mostras, como se ao fazê-lo estivessem a gabar-se da sua boa fortuna e/ou a encorajar o consumismo.

 

É uma faca de dois gumes, já que patrocínios implicam divulgação e o sentimento de partilha, que tantas/os de nós sentimos em relação aos nossos livros, também. Mas do outro lado, o monstro de olhos verdes não perdoa e o decréscimo no número de visualizações também não.

 

É um género de vídeos que não me suscita interesseexcepto quando sinto que me acrescenta informação, como é o caso dos books hauls de um par de booktubers dedicadas à não-ficção. 

 

Nesse caso, são absolutamente irresistíveis.

18
Mai18

Sex Object - Jessica Valenti

Scribd é um serviço a que volto, quando mo oferecem. Recentemente, recebi um email a oferecer-me mais um mês gratuito. A pagar, são cerca de 9 dólares mensais.

 

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Eu gosto imenso de ouvir determinadas categorias de audiolivros, em especial memórias lidas pelas/os próprias/os. Por isso, a minha primeira escolha passou por um livro de memórias de Jessica Valenti, de apenas 4 horas e que não consegui apanhar por cá.

 

Neste, a feminista e activista fala das suas experiências enquanto mulher, no espaço público. Naturalmente, as suas experiências incluem diversas formas e intensidades de agressão sexual, que são experiências comuns a todas as mulheres que conheço.

 

 

Ainda assim, chocou-me ouvir a sucessão de episódios de uma vida, concentrados em 4 horas e reconhecer que também eu (nós) poderia fazer uma lista repleta de episódios.

E literalmente parei, atingida pela conclusão da autora, que as agressões diminuíram à medida que ia crescendo. Paro. Faço uma revisão mental das minhas e sei que é verdade. A generalidade dos agressores sexuais é cobarde e procura quem consegue dominar. Tenho sobrinhas que não tenho como proteger, de se tornarem objectos sexuais, pelo simples acto de usarem espaços públicos (e por vezes, nem nos espaços que deveriam ser de protecção). Paro, atingida por todas as realidades e não percebo porque me choca tanto ouvir aquilo que já conhecia.

 

Mas é também um livro de memórias sobre expectativas parentais, adolescência, crescimento sexual, processos destrutivos, pressões sociais, feminismo(s) e viver com o terrorismo psicológico e as ameaças (inclusive à sua filha), que acompanham o seu activismo. 

 

Uma experiência magnífica.

18
Mai18

I’ll be gone in the dark - Michele McNamara

 

"This is how it ends for you. 'You’ll be silent forever, and I’ll be gone in the dark" 

 

Durante mais de 40 anos, um homicida (mais de 12 mortes) e violador em série (mais de 50 violações) aterrorizou comunidades. Embora os seus crimes tenham sido identificados entre 1974 e 1986, a verdade é que aterrorizou as suas vítimas e as suas comunidades, muito para além das datas em concreto dos seus crimes.

 

Num tempo em que o cruzamento de dados era coisa inautida entre forças policiais, foi actuando em diversos estados dos EUA, impunemente. Apenas há um mês, foi identificado através de DNA. Tem 72 anos de idade.

 

Este é um livro de não ficção, categorizado com "true crime" (crime verdadeiro), um género de que teoricamente gosto, mas que em regra me afasto, dado que em regra tem o seu enfoque nos criminosos e seus actos, relegando as vítimas a uma mera consequência. 

 

Eu achava que Michele McNamara não era assim e quando ouvi este livro, senti que não me tinha enganado. I’ll be gone in the dark não é apenas sobre um criminoso, mas também sobre a comunidade policial que nunca desistiu, as vítimas que nunca encontraram paz, as comunidades que aterrorizou e da autora, que sonhou com um fim que não chegou a conhecer. 

 

O livro flui de forma rápida (na verdade, é impossível largar) e as partes compostas postumamente, a partir das suas notas, são identificadas e cuidadosamente explicadas.

 

A experiência de leitura é verdadeiramente imersiva e sentimos que a jornalista nos dá uma visão global de tudo que está relacionado com estes crimes, dos modus operandi, dos procedimentos policiais, das comunidades online, tão motivadas como ela, do choque provocado nas comunidades, nas vítimas e seus familiares (dos casamentos que não resistiram, às drogas para atenuar a dor), do que falhou, o que traria (e trouxe) o fim da impunidade... 

 

Sinto que Michele McNamara estaria a escrever uma verdadeira obra prima. Fica o agridoce de saber que, para sempre, o nome dela ficará associado a este criminoso, como a luz da qual ele não conseguiu fugir.

18
Mai18

Uma leitora até ao final da vida

[Peço desculpa pelo tamanho das imagens. A inserção de fotos nos posts é o calcanhar de Aquiles dos blogs Sapo]

 

Estou a ouvir I’LL BE GONE IN THE DARK de MICHELLE MCNAMARA, mencionado aqui e que aproveitei, na oferta que recebi de mais um mês gratuito de Scribd. É melhor do que esperava. 

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Um novo livro na estante, há muito desejado, graças a uma troca. Sou uma sortuda.

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Curiosidades e outras preciosidades

1. 

Aqui está uma pergunta assustadora: se apenas pudesses ler um/a autor/a, até ao final da vida, qual seria?

 

2.  

Foram reveladas duas novas páginas do diário de Anne Frank, contendo piadas picantes e passagens sobre sexo. [Jornal de Notícias]

As páginas agora reveladas, através de uma técnica de análise de imagens avançada, estavam cobertas com uma espécie de papel pardo, aparentemente para que a família não tivesse acesso a essas passagens.

 

3.

Em semana de casamento real, nada como um auto-lembrete para estes livros, sobre D. Pedro V.

 

4.

Sentem-se confortavelmente, porque há maravilhosas capas de livros para ver aqui.

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5.

Numa nova fase, a editora Sextante promete trazer à livrarias os "tesouros" perdidos da literatura (aqui)

6.

Prémio britânico para romance mais cómico do ano ficou sem vencedor. Esta teve piada.

Consultei a lista de vencedores e encontrei o Solar de Ian McEwan (2010), que na estante aguarda vez. Não fazia ideia que era um livro com piada, muito menos o mais engraçado de 2010. 

 

Entrevistas que planeio ler

1.

In a rare interview, Elena Ferrante describes the writing process behind the Neapolitan novels (contém spoilers)

2.

Two cats interview Meg Wolitzer

3.

'He loved to stir it up': five writers, editors and friends on Tom Wolfe's legacy

 

Listas

1. 

O Bookriot diz que há 15 distopias que deve adicionar à minha lista de leitura IMEDIATAMENTE. Pareceu-me urgente.

2.

10 Books por autoras nigerianas com temas feministas

3.

E porque estou a aproveitar um mês gratuito de Scribd:

13 FABULOUS FEMINIST AUDIOBOOKS

12 AMAZING AUDIOBOOK MEMOIRS TO ADD TO YOUR PLAYLIST

 

Ainda por ler...

#MeToo revelations and loud, angry men: the feminism flashpoint of Sydney writers’ festival

Never-ending nightmare: why feminist dystopias must stop torturing women

'Single women fiction': how a genre went from subversive to sad

 

Podcasts que adorei

Madeline Miller and Toby Litt – books podcast

 

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Daqui